Polícia prende três acusados da morte de torcedor corintiano

Foram presos hoje, trinta e quatro dias depois da morte do corintiano Marcos Gabriel Soares Cardoso ? em decorrência de um confronto entretorcedores rivais a caminho do Morumbi em dia de clássico ? três palmeirenses indiciados por homicídio doloso, entre eles o presidenteda Torcida Organizada Mancha Alviverde, Janio Carvalho Santos.?A minha intenção é pedir logo a prisão preventiva dos três?, disse o delegado Ítalo Miranda Júnior, referindo-se a a Janio, operador de pregão da Bolsa de Valores, de 25 anos, a Edmilson José da Silva, balconista de 28 anos, e Alessandro Almeida Borges Ferreira, artesão desilk screen de 23 anos. De acordo com o delegado, Edmilson é o agressor que aparece nas imagens em vídeo carregando uma pá ? com a qual teriaagredido Marcos Gabriel.Os três prestaram depoimentos durante à tarde no 13º DP de Casa Verde e à noite foram transferidos para o 77º DP, de Santa Cecília, onde ficam osdetidos com prisão provisória decretada. ?Nós ouvimos 52 depoimentos desde que o caso passou da 23ª DP para o nosso distrito. Os três foram os primeiros indiciados a serem presos, mas as investigações continuam. Foram identificadas, através das imagens da Record outras dez pessoas, que a gente também vai atrás?, informou o delegado.A prisão provisória de 12 dias dos três torcedores foi decretada pela juíza Silvia Maria Facchina Sposito Martines, do 5º Tribunal do Júri,na sexta-feira. Os policiais não tiveram problemas para prender Alessandro e Edmilson em suas casas. Já os agentes que foram à casa de Jânio não o encontraram às 6h. Sua cama não estavadesfeita. O torcedor disse que não passou a noite em casa mas assim que chegou, às 8h, foi à delegacia imaginando que teria apenas de prestardepoimento, e não ficar preso.?Não pode catar uma pessoa assim e prender como se fosse um bode expiatório. Eu dei toda a assistência à promotoria, dei o endereço de todos os torcedores que foram pedidos. Agora, dizer que você incitou à violência é um absurdo, eu nem estava lá, pô!?, disse Jânio em uma breve aparição diante do 13º DP, à tarde, já algemado. ?Eu se pudesse teria evitado a morte do garoto, que aliás era um amigo meu.?A versão da polícia é bem diferente. ?Ele recebeu um telefonema dizendo que torcedores da Mancha estavam sendo acuados por torcedores da Gaviões na Barra Funda. Então subiu ao palco da quadra, pegou o microfone e ficou mandando que os demais torcedores fossem para lá, onde estava o tumulto, para ajudar os amigos?, disse o delegado combase em depoimentos de uma testemunha, ratificados por ligações anônimas para o Disque Denúncia.A advogada Rita Rufino, que defende a Mancha Alviverde, não quis falar oficialmente antes que terminasse o depoimento de seus clientes, masantecipou que estava ali apenas para defender Jânio e Alessandro: ?Nós nem conhecemos o Edmilson, nem o Paulo (Serdam, presidente de honra da Mancha) conhece ele.?Foi indiciado também, por homicídio culposo, o médico Paulo Shigueru Ishikawa, responsável pelosprimeiros socorros a Marcos Gabriel. Ele responderá em liberdade. ?Houve muita negligência e imprudência. Era um caso de traumatismo craniano, de um menor. Precisaria ter sido encaminhado para um hospital mais apropriado?, disse o delegado.

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