Polícia procura donos de hotéis interditados na cracolândia

Estabelecimentos serviriam de abrigo para consumo de drogas; 12 foram emparedados

Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

30 Julho 2009 | 00h00

Os hotéis de alta rotatividade da Rua Helvetia, nos Campos Elísios, ajudaram a alastrar o uso de drogas na cracolândia, no centro de São Paulo. Por diárias de R$ 5, até 12 "hóspedes" podiam se juntar em quartos minúsculos para comprar, vender e usar crack sem se preocupar com as batidas policiais nas ruas. As garotas viciadas também usavam os locais para se prostituir em troca de droga. Após uma semana, a ação integrada de órgãos públicos destinada a revitalizar a região fechou quase todos os hotéis da Helvetia. Foram emparedados 12 deles e outras nove pensões. Ao todo, 30 imóveis foram interditados na região em sete dias. Tanto a polícia quanto os órgãos públicos tentam agora descobrir quem eram os donos desses hotéis onde seis dos 14 traficantes presos pela ação foram localizados. Apenas o dono de uma das pensões emparedadas, no número 38-B da Helvetia, apareceu até agora. "Estamos tentando levantar pelos cadastros da Prefeitura e da Junta Comercial. Esses imóveis tinham algum tipo de irregularidade que foi constatada pela Polícia e nos foi comunicada. Vamos tentar agora achar os donos", afirmou Orlando Almeida, chefe do Departamento de Controle de Imóveis (Contru). Na segunda-feira, a Prefeitura chamou a Eletropaulo para desligar as fiações clandestinas que levavam energia elétrica aos hotéis. Uma das principais tarefas dos guardas civis na operação é evitar que os hotéis sejam reabertos pelos dependentes. Na segunda-feira, os guardas e fiscais da ação tiveram de relacrar três estabelecimentos abertos no fim de semana. "Não podemos perder a atenção, qualquer descuido e eles tentam retirar os tijolos. Com R$ 0,50, eles (viciados) formavam turmas para passar o dia fumando dentro de um quarto", contou um GCM. O coronel Marcos Roberto Chaves da Silva acredita que alguns hotéis já haviam sido abandonados pelos proprietários e eram controlados pelos viciados. "Com as operações policiais constantes na área nos últimos anos, muitos proprietários nem quiseram mais ficar à frente desses estabelecimentos", explicou o policial. Com os emparedamentos, o cenário no quarteirão da Rua Helvetia entre as Alamedas Dino Bueno e Barão de Piracicaba lembra uma cidade fantasma, com poucos usuários andando enrolados em cobertas. "O que posso dizer é que melhorou muito com a presença da polícia. A esperança nunca foi tão grande de que as coisas voltem a ser como no começo dos anos 90, com o movimento apenas de trabalhadores", diz Roberto Franchino, dono de um pequeno restaurante na região. A ação integrada também encaminhou para atendimento médico 149 usuários de drogas, de um total de 1.178 abordagens feitas pelos agentes de saúde, segundo balanço divulgado ontem pelos governos do Estado e municipal. Entre os pacientes que aceitaram o atendimento, 18 seguem internados com doenças infecciosas e crônicas e dois foram encaminhados para hospitais psiquiátricos. As Polícias Civil e Militar apreenderam 2,56 quilos de drogas. A operação não tem previsão para acabar.

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