Polícia quer ouvir mulher ligada a acusado de chefiar milícia

Um mês antes de ser assassinado, na última quinta-feira, com 34 tiros de quatro armas diferentes, o policial civil afastado Félix dos Santos Tostes, 49 anos, transferiu um bar de que era sócio para a jornalista Deborah Farah, 44 anos. Era também em nome dela que estava a caminhonete Toyota Hilux, avaliada em R$ 100 mil, que Tostes, apontado como chefe da milícia na Favela Rio das Pedras, dirigia quando foi morto. A polícia vem tentando, sem sucesso, localizar Deborah, em dois endereços dela. Nesta segunda, o Estado esteve em um desses endereços e também não a encontrou. Seus telefones fixo e celular não respondem. Em 16 de janeiro, foram transferidos para Deborah 95% da empresa Félix e Dalmir Alimentos e Bebidas Ltda, nome oficial do bar, restaurante e pizzaria Estação Azul, localizado na rua principal de Rio das Pedras. A participação é avaliada em R$ 57 mil. Os sócios do policial, que detinha 45% da empresa, eram os irmãos Dalmir e Dalcenir Pereira Barbosa. Junto com Deborah, entrou no negócio, com 5%, Jefferson Aquino da Silva. Funcionários do Estação Azul disseram que ela vai duas vezes por semana ao local, sem dias definidos. Eles não conhecem Jefferson. Tostes foi morto logo depois de deixar o apartamento de uma amante, no Recreio dos Bandeirantes. A mulher disse a agentes da 16.ª Delegacia Policial (Barra da Tijuca) que foi de Deborah o último telefonema recebido pelo policial. Ela transmitiu a ele um convite para um churrasco, que teria sido aceito. Depoimentos Além de Deborah, o delegado Paulo Henrique Pinto, da Delegacia de Homicídios, responsável pela investigação, quer ouvir os antigos sócios de Tostes, apontados como prováveis sucessores do policial em Rio das Pedras. Os irmãos Dalmir e Dalcenir dominam negócios importantes na favela. Desde 2004, Dalmir é sócio-gerente da Areal Crédito e Fomento Mercantil, uma factory conhecida popularmente como Pinheiro Crédito. Junto com o irmão ele possui a Transporte Dalce Turismo Ltda, criada em 2005, que tem como sócios ainda Gilberto Rodrigues Gama e o advogado Luiz Cláudio da Rocha. A empresa promove excursões e viagens. Além disso, a trinca Dalmir, Dalcenir e Getúlio criou, em janeiro do ano passado, a DDG Transportes 2006, responsável por linhas rodoviárias alternativas de passageiros, as populares vans. Getúlio, por sua vez, é dono também da Distribuidora Geluz Riogrande Ltda e responsável por duas cooperativas mistas de transportes: a Rio das Pedras e a Flecha Car. Dalcenir tem ainda um lava-jato. Morte encomendada A polícia sabe que a morte de Tostes foi encomendada e trabalha com três hipóteses: disputa pelo controle da milícia, briga por negócios (Félix tinha participação no Bingo Rio das Pedras, que explora máquinas caça-níqueis) e questões políticas. O delegado Paulo Henrique Pinto acha que os sócios podem ajudar a esclarecer o caso. BOPE Nesta segunda, a viúva de Tostes, Maria do Socorro Barbosa registrou queixa na 16ª DP contra policias do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM, que teriam invadido um apartamento da família, no condomínio Floresta da Barra, que estria em obras há quatro meses. Ela disse que os policiais alegaram ter recebido denúncias de que haveria traficantes de drogas no local e pretendiam fizerram busca no imóvel de Tostes e no de um amigo identificado como Washington, no mesmo prédio. Quando Maria do Socorro chegou ao local acompanhada por um advogado, os policiais teriam desistido de levar objetos que estavam no apartamento. A viúva chegou à Delegacia de Homicídios no início da noite e evitou a imprensa. Policiais contaram que ela se disse surpresa com a existência de uma amante do marido. Ela teria dito, porém, que seu filho, Gualter, enteado de Tostes, conhecia o relacionamento.

Agencia Estado,

26 Fevereiro 2007 | 20h33

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