Polícia quer prorrogar prazo de investigação de queda de edifícios no Rio

Após um mês, causas do desabamento ainda são obscuras e cinco pessoas estariam desaparecidas

Antonio Pita, O Estado de S.Paulo

24 Fevereiro 2012 | 18h26

RIO - O desabamento do Edifício Liberdade e outros dois imóveis na Avenida Treze de Maio, no centro do Rio, completa neste sábado, 25, um mês sem que as causas do acidente tenham sido esclarecidas. A perícia, que pode apontar as causas da tragédia, ainda não foi concluída e não há previsão para o término das análises.

 

A Polícia Civil vai pedir ao Ministério Público a prorrogação do prazo para as investigações por mais 30 dias. Segundo o delegado Alcides Alves, responsável pelo caso, os peritos ainda estão analisando as plantas dos edifícios Colombo, Liberdade e Treze de Maio e fazendo análise nos escombros.

 

Até o momento, 17 vítimas do acidente foram identificadas. Outras cinco pessoas são consideradas desaparecidas e os familiares aguardam o resultado dos exames de DNA que podem ajudar na identificação.

O edifício Capital, vizinho aos prédios que desabaram, também foi vistoriado e continua interditado. "Como se trata de uma perícia de engenharia será preciso mais tempo para chegar a uma conclusão", afirmou.

Depoimentos. A investigação já ouviu 57 pessoas, entre testemunhas, familiares de vítimas, e operários da obra realizada no nono andar do Edifício Liberdade. A reforma na sede da empresa de tecnologia T.O. é apontada como a possível causa do desastre.

 

As análises preliminares do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) indicam que o edifício teria desabado sobre outros dois prédios comerciais localizados ao lado do Teatro Municipal do Rio.

"Há indícios muito fortes de que aquele prédio sofreu diversas obras sem acompanhamento técnico. Também temos o depoimento do síndico do prédio que afirma que não haviam pilares centrais em alguns andares, o que pode ter comprometido a estrutura do prédio", afirma o presidente do Crea, Agostinho Guerreiro.

Apesar da perícia ainda não ter sido concluída, a associação que representa as vítimas do desabamento acredita que é possível responsabilizar a prefeitura do Rio pelo acidente. Segundo o representante da associação, Octávio Blatter, a prefeitura "não exerceu seu papel de fiscalização sobre a edificação e teve uma conduta desastrosa no tratamento dos escombros".

 

A associação reclama que os escombros foram tratados como lixo e não foram devidamente separados de bens e outros materiais que poderiam ajudar na investigação.

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