Polícia quer que Aeronáutica investigue granadas da favela

O delegado Álvaro Lins, chefe de Polícia Civil do Rio, disse hoje que as granadas apreendidas na semana passada na Favela da Coréia, na zona oeste da cidade, estão à disposição da Aeronáutica para o inquérito policial-militar que apura a origem do arsenal encontrado em poder da quadrilha do traficante Robinho Pinga. ?Se quiserem fazer uma perícia paralela, complementar, se quiserem levar, o material está à disposição deles?, disse.Lins afirmou que é muito remota a chance de ter havido desvio de parte do lote na empresa fabricante, que apresentou notasfiscais e documentos do processo de venda. O delegado voltou a dizer que as granadas podem ter sido dadas como destruídas e desviadas para traficantes. ?A única forma de terem sido vendidas para a Força Aérea e não estarem faltando no estoque é terem recebido baixa fraudulenta como utilizadas em instrução ou para a destruição?, disse.Já o rastreamento das oito minas terrestres encontradas no paiol, segundo Lins, vai depender de informações dos comparsas de Robinho Pinga. O ex-PM Helder Marques da Cruz, que seria o chefe da segurança do traficante, prestará depoimento ainda esta semana. Preso, ele foi baleado e recupera-se no Hospital Penitenciário. Outro comparsa de Robinho Pinga, o traficante Fernando Português, também está preso e será interrogado. Os policiais ainda não conseguiram contatar os responsáveis pela fabricação das minas na Bélgica.?A origem das minas é muito mais difícil. Não temos uma especificação que permita identificar de onde veio, já que foram vendidas a vários países. Se prendermos os outros traficantes da quadrilha, ficará mais fácil eles informarem de onde veio esse material?, disse o delegado, acrescentando que a polícia está investigando o paradeiro de Pinga, alvo da operação na Favela da Coréia. Segundo Lins, o traficante já foi preso em 2001, numa mansão de luxo no mesmo condomínio onde moram celebridades como o ex-piloto Nelson Piquet, em São Paulo, mas conseguiu alvará de soltura.Anteontem, policiais voltaram a encontrar armamento do exército em poder de bandidos. Durante ronda de rotina, policiais miltares de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, trocaram tiros com traficantes, que fugiram deixando cerca de 50 cartuchos de munição utilizados pelo Exército, um morteiro de uso das Forças Armadas e 80 sacolés de cocaína. Uma bolsa do Exército também foi encontrada com roupas de militares.

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