Polícia reconstitui morte de Alana, vítima de bala perdida

A polícia do Rio de Janeiro foi ao Morro dos Macacos, na manhã desta quarta-feira, 4, para reconstituir a morte da menina Alana Ezequiel, de 12 anos, morta no dia 5 de março depois de ser atingida por uma bala perdida durante tiroteio entre policiais e traficantes do morro. Os policiais do 6º Batalhão de Polícia Militar (BPM) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) foram recebidos a tiros quando entraram na favela. Eles foram ao local para dar proteção policial ao trabalho dos peritos, que reconstituíram a cena do crime com a presença do veículo blindado conhecido como "caveirão". Ninguém ficou ferido e a polícia apreendeu uma moto e um carro roubado, além de material com anotações da contabilidade dos traficantes. A mãe da menina, Edna Ezequiel, acompanhou o trabalho dos peritos. Apesar de manter esperanças de que a "a justiça seja feira", ela considera pouco provável que o caso seja resolvido. "Depois da morte da Alana, minha vida está uma bagunça, perdi o emprego, vivo com medo e tenho vontade de me mudar", declarou. A polícia considera pouco provável uma conclusão definitiva para apontar quem matou Alana. "A maior dificuldade técnica é a falta da bala que atingiu a vítima, que nunca foi encontrada e poderia ajudar na comparação com as armas dos PMs. Acho complexo e difícil uma conclusão definitiva apenas com a reconstituição realizada hoje", declarou o delegado-titular da 20ª Delegacia de Polícia, Hércules Gonçalves. Vítimas O Relatório "Bala Perdida", elaborado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro, constatou que 224 pessoas foram vítimas de balas perdidas em 2006, de acordo com os Registros de Ocorrências das Delegacias Policiais do Estado. Do total, 19 foram vítimas fatais. O perfil levantado pelo estudo revela que, das vítimas fatais, 13 eram do sexo masculino e, na sua maioria, jovens e adultos com 18 anos ou mais. Os dados indicam ainda que a capital do Rio de Janeiro registrou o maior índice de vítimas de bala perdida: 17 fatais e 169 não fatais. Em seguida, vem a Baixada Fluminense, com duas vítimas fatais e 18 não fatais. O estudo divulgou também dados do mês de janeiro de 2007, quando foram constatadas 31 vítimas de bala perdida, sendo três delas fatais. Todas mencionadas eram do sexo masculino - uma criança, um adolescente e um adulto - e foram mortos em via pública. Colaborou Amanda Valeri.

Agencia Estado,

04 Abril 2007 | 13h27

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