Polícia reconstitui últimos passos do contínuo desaparecido

O delegado-geral de Polícia Civil, Mário Jordão, e o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Antônio dos Santos, anunciaram nesta sexta-feira, 19, que os trabalhos de busca na cratera aberta após desabamento nas obras da linha 4 do Metrô, em São Paulo, só serão retomados após indícios de que o contínuo Cícero Augustinho da Silva, de 58 anos, possa estar nos escombros. Até quinta-feira, seis pessoas foram resgatadas.A família suspeita que Silva estivesse na região do desabamento no momento do acidente, ocorrido na sexta-feira, 12. O delegado disse que, até o momento, não há provas de que ele possa ter sido soterrado, mas não descarta a possibilidade. "Efetivamente, a suspeita concreta é desaparecimento". Jordão também afirmou que a polícia já solicitou um levantamento para as operadoras de telefonia celular Vivo e Claro sobre o deslocamento do contínuo e onde ele estava no momento do desabamento. Esse relatório tem um período médio de 15 a 20 dias para ser entregue, mas o delegado informou que a polícia vai pedir a antecipação desta entrega.InvestigaçõesSegundo ele, a polícia está trabalhando em duas frentes, em conjunto com o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e a delegacia que investiga pessoas desaparecidas. "Ele teria desaparecido entre 13 e 17 horas, compatível com o acidente. O que estamos fazendo é uma reconstituição de todos os passos de Cícero, ouvindo familiares, testemunhas", declarou. O contínuo teria sido visto pela última vez por volta das 13 horas, saindo de uma lotérica em Perdizes, na zona oeste, onde ele mora e há indícios de que ele seguia para a região de Pinheiros.O comandante do Corpo de Bombeiros esclareceu que homens da corporação ficarão pelo local, mas apenas em estado de observação, acompanhando as perícias técnicas. "Agora só estaremos acompanhando o trabalho como observadores, para ver se tem mais alguma coisa sob os escombros". Na tarde desta sexta, o delegado Mario Jordão se reunirá no local do acidente, com o superintendente da polícia científica de São Paulo, com o promotor do Ministério Publico que investiga o acidente e um engenheiro para que os quatro juntos possam preparar um trabalho de perícia nas obras.IndenizaçõesPela manhã, o secretário geral do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana do Governo do Estado de São Paulo, Ariel de Castro Alves, visitou o local do acidente. Ele disse que, caso o consórcio responsável pelas obras não entre em acordo, quer que seja liberado por decreto do governador José Serra (PSDB) o dinheiro das indenizações das vítimas do desabamento nas obras da futura estação Pinheiros. "Esperamos que esses trâmites sejam rápidos, e que imediatamente o governo elabore um decreto para indenizar as famílias ainda este mês?, disse .Retirada da grua Ainda na tarde desta sexta-feira, poderá ser definida a data para a retirada da grua - equipamento com 32 metros de altura e 120 toneladas- do local do acidente. A desmontagem deverá ser feita, preferencialmente, em um domingo, para evitar transtornos no trânsito da capital paulista. Por medida de segurança, as pistas local e express da Marginal do Pinheiros deverão ser fechadas durante a remoção, que pode durar de sete a oito horas. A partir da retirada da grua, a Defesa Civil de São Paulo fará nova vistoria nos 55 imóveis interditados na região onde ocorreu o acidente.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.