Polícia rejeita confissão de ''''atirador'''' de helicóptero

O delegado-titular da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil, Rodrigo Oliveira, contestou a confissão do traficante Fábio Brum Camargo, o Carão, de 24 anos, que assumiu o assassinato do policial Eduardo Henrique Mattos, que sobrevoava o Morro do Adeus, em um helicóptero, durante uma operação policial na sexta-feira. Segundo Oliveira, Carão mentiu "para ganhar os louros por ter matado um policial". O delegado afirmou que as rajadas contra a aeronave partiram do Complexo do Alemão, localizado a 1 quilômetro de distância do Morro de Adeus, e atingiram Mattos por fatalidade. As declarações causaram constrangimento ao delegado-titular da 21ª Delegacia de Polícia de Bonsucesso, Aldari Vianna, que anunciou a confissão do criminoso à imprensa. Ontem, Vianna revelou que a confissão foi ouvida pelos próprios agentes da Core, que em seguida apresentaram a denúncia. Na versão da polícia, Carão disse que atirou no helicóptero a 400 metros de distância do solo, percebeu que tinha acertado e caiu da laje de um barraco. Ele se internou no Hospital Salgado Filho com traumatismo abdominal e, segundo a polícia, foi denunciado pelos médicos. Apresentado pela Polícia Civil, o acusado tinha curativos no tórax e abdome e escondia o rosto. Integrante da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) afirmou que pedirá esclarecimentos sobre o caso. Ele ressalta que não há indícios de tortura, mas estranha o bate-boca entre as autoridades. "Não adianta a polícia querer encontrar o culpado, um bode expiatório", afirma.

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