Polícia relaciona morte de traficante a protesto

Purcino cruzou a favela em alta velocidade e, ao ser cercado, atirou contra os soldados

, O Estadao de S.Paulo

03 Fevereiro 2009 | 00h00

A morte do traficante e ladrão Marcos Purcino, de 25 anos, durante uma troca de tiros com policiais militares no domingo à tarde, desencadeou a revolta de moradores e transformou a Favela de Paraisópolis, no Morumbi, zona sul de São Paulo, em praça de guerra. Segundo o chefe do Comando de Policiamento de Área Metropolitano-5 (CPA/M-5), coronel Danilo Antão Fernandes, o protesto foi causado pela morte de Purcino, um foragido da Justiça com duas condenações por roubo.O criminoso morto escapou no ano passado da Penitenciária 1 de Franco da Rocha, na Grande São Paulo. Em 16 de julho de 2003, ele foi condenado na 26ª Vara Criminal da Capital a 5 anos e 4 meses de prisão pelo roubo de uma caminhonete na Rua Professor Benedito Montenegro, no Morumbi. Em 20 de junho de 2006, Purcino foi condenado novamente, mas dessa vez na 17ª Vara Criminal da Capital, por furto no Morumbi.Fernandes explicou que Purcino e Antonio Galdino de Oliveira, de 24 anos, foram flagrados com carros roubados, às 12 horas de anteontem, por duas viaturas da PM. Iniciou-se uma perseguição e os suspeitos cruzaram a favela em alta velocidade, em dois carros, na direção do Cemitério do Morumbi. Segundo o boletim de ocorrência, os policiais conseguiram cercar os criminosos, mas foram recebidos a tiros - dois deles destruíram o para-brisa da viatura. No revide, atingiram Porcino, que ocupava um Fiat Stilo preto. Ele ainda foi levado ao Pronto-Socorro do Campo Limpo, onde morreu. Oliveira estava num Palio Weekend e se entregou. O tráfico de drogas na favela é comandado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), após uma luta com a comunidade que durou anos. Em novembro de 2003, Márcio de Souza Inês Andrade, o Marcinho, de 28 anos, e outros quatro acusados de compor seu bando foram detidos por investigadores do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc). O bando estava espalhando o terror na favela e foi apontado como o autor de assassinatos e de uma chacina naquele mês, quando os bandidos tentaram se livrar do líder comunitário Ezequias Cavalcanti.Paraisópolis virou uma "mina de ouro inexplorada". Isso porque a comunidade e seus líderes sempre se opuseram à instalação de traficantes na área. Meses depois da prisão, o PCC expulsou líderes comunitários e ocupou áreas da favela.

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