Rodrigo Sales
Rodrigo Sales

PM joga bombas para retomar controle de presídio em Roraima

Massacre deixou 31 mortos; policiamento nas imediações também foi reforçado

Cyneida Correia, Especial para O Estado

06 Janeiro 2017 | 15h26

BOA VISTA - Policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Grupo de Resposta Rápida e agentes penitenciários do Grupo de Intervenção Tática (GIT) entraram na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc) para retomar o controle do presídio em Roraima, alvo de um massacre que teve como saldo 31 mortos.

Durante a manhã, pelo menos três barulhos de bombas de efeito moral puderam ser ouvidos de dentro da unidade, mas segundo os policiais, a medida é adotada para dispersar os presos, facilitando a retomada do controle do local.

O policiamento das imediações daquela que é considerada a maior unidade prisional do Estado foi reforçado. O clima de tensão é evidenciado nos rostos de familiares de presos e também dos policiais designados para cercar o perímetro da Pamc.

A Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) confirmou que 31 presos foram mortos na unidade.

A morte de presos da Pamc ocorre cinco dias após a chacina de detentos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no Amazonas, que resultou na morte de 56 presos. 

Questionada sobre a ligação deste ocorrido com o do Estado vizinho, a Sejuc está encarando a situação como uma briga interna. 

OAB. O vice-presidente de Defesa dos Direitos e Prerrogativas do Advogado da OAB Roraima, Marco Antônio Pinheiro, visitou o presídio na manhã desta sexta-feira e disse que a chacina que vitimou 31 presos já era uma tragédia anunciada.

Ele atribuiu a culpa aos poderes públicos do Estado, principalmente o sistema judiciário, pela falta de iniciativas em relação ao sistema prisional de Roraima.

"Muitas das pessoas que ocupam a Pamc estão lá por mera suposição. É só você ver nos processos que estão no Tribunal de Justiça. A gente não está negando que não haja bandido, tem sim, mas como disse o Ministro da Justiça, hoje a Justiça brasileira condena muito, mas condena mal, porque coloca presos comuns junto com matador, estuprador, traficante e isso resulta nesse tipo de cartel do crime", pontuou.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.