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Polícia segue pistas de chefe do cativeiro de Olivetto

Ele usava o nome Eduardo NorbertoFleming. Foi o responsável por alugar a casa da Rua Kansas, noBrooklin, zona sul de São Paulo, utilizada como cativeiro dopublicitário Washington Olivetto, e por comprar um dos carrosusados pelo grupo. A Divisão Anti-Seqüestro (DAS) descobriuainda que ele recebeu, no dia 2 de fevereiro, o telefonema emque Maurício Hernandes Norambuena, o Comandante Ramiro,determinou a libertação de Olivetto após ser preso com outroscinco seqüestradores numa chácara, em Serra Negra.Essa descoberta foi feita após a polícia obter a listade ligações feitas do orelhão na zona norte de SP para onde ospoliciais levaram Norambuena a fim de que ele entrasse emcontato com o responsável pelo cativeiro. Descobriu-se que às11h16 e às 11h20 daquele dia o Comandante Ramiro telefonou duasvezes para o mesmo número de telefone celular, cujo prefixo é9386. Era para esse mesmo celular que o dono da casa alugadacomo cativeiro telefonava a Fleming, nome que a políciaconsidera falso.Tudo indica que os investigadores da DAS têm razão, poisno primeiro lugar em que se hospedou em São Paulo, um flat noParaíso, Fleming apresentou-se como repórter de um jornalargentino, o Página 12. Ele se hospedou ali de 18 a 29 dejunho. No dia 20, comprou um Passat Variant numa loja no centroda cidade.No dia 30, ao deixar o primeiro flat, o seqüestradormudou-se para outro, no Itaim-Bibi. Em 1.º de agosto, eleassinou o contrato de comodato pelo qual passou a ocupar a casada Rua Kansas. Ao dono disse que era um sociólogo argentino, queestava de mudança para São Paulo com a mulher e os sogros.O contrato tinha validade de seis meses. Flemingprocurou o proprietário após ver a placa de aluga-se em frenteda casa. Ela estava ali havia dois meses. Com forte sotaque,afirmou que era argentino e faria projetos ambientais no Brasil,trabalhando em casa, pela internet. Os R$ 6 mil foram pagos àvista.A última vez que o acusado, aparentando ter cerca de 30anos, branco e de cabelos escuros, foi visto no Brasil foi em 28de janeiro, cinco dias antes do fim do seqüestro. Ele foireconhecido por funcionários de uma concessionária de automóveisonde deixou o Passat por causa de um problema na bomba do tanquede combustível. As testemunhas lembram-se que Fleming não quissaber o preço do serviço. Autorizou o conserto e fez uma únicaexigência: tinha pressa.As polícias brasileira e chilena desconhecem qual é averdadeira identidade de Fleming. Também não se sabe se ele émilitante do Movimento de Esquerda Revolucionário (MIR) ou daFrente Patriótica Manuel Rodrigues (FPMR), grupos aos quaispertencem os cabeças dos seqüestradores presos.Além da foto de Fleming, a polícia achou com ospresos fotografias de Luis Alberto Moreno Correa, o Vietnamita,e de Pablo Muñoz Hoffman, ambos da FPMR, feitas para seremusadas em documentos. Correa foi reconhecido como o homem quedeixou em um estacionamento na zona oeste de São Paulo um carrocom um fuzil M-16, pistolas e um colete a prova de balas em seuinterior na noite em que Olivetto foi libertado. Também foramachadas fotos de outro líder da FPMR, Raul Escobar Poblete, oComandante Emílio, com sua mulher, Marcela Mardones Rojas,Ximena, e com Norambuena.A DAS apreendeu ainda fotos de um seqüestrador que usavao nome de Miguel Villabella, responsável pelo aluguel de um dosapartamentos do grupo em São Paulo, e outras nas quais osseqüestradores Alfredo Canales Moreno e sua namorada, MartaUrrega, posam como se estivessem fazendo turismo. Há fotos napraia e de passeios de barco em Ilhabela e na chácara de SerraNegra. Marta chegou a posar em frente da Secretaria de Justiça,em São Paulo.

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