Polícia sem pistas de assassinos de vereador

O clima era de consternação hoje, no Guarujá, durante o enterro do vereador Ernesto Pereira (PTN), de 38 anos, morto com 12 tiros na noite de ontem, a uma quadra de sua casa, no Condomínio Terra de São José. Casado e com um filho de oito anos, Pereira era engenheiro, professor, comerciante e cumpria o seu segundo mandato como vereador, sendo o terceiro mais votado na última eleição municipal. Eleito pelo PFL, o vereador mudou de partido recentemente, passando a integrar o PTN, pelo qual pretendia pleitear sua candidatura a deputado estadual no ano que vem.Para o presidente da Câmara, Wanderley Maduro dos Reis (PV), Pereira tinha um ótimo relacionamento com todos os seus companheiros. "Era um homem pacato e extremamente competente em tudo o que se dispunha a fazer", disse Reis, acrescentando que não entendia o por quê do crime. De acordo com a polícia, duas testemunhas ouviram o barulho de uma motocicleta arrancando em alta velocidade, depois dos tiros que atingiram o Golf preto, de propriedade do vereador. O delegado Mílson Calves, que preside as investigações, praticamente descartou a possibilidade de tratar-se de um crime político. Também não acredita na hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte), tendo em vista que a carteira com dinheiro, o celular e uma corrente de ouro do vereador não foram levados. "Nem uma pista está sendo desprezada, mas pelo fato da vítima não ter qualquer desavença, estamos acreditando mais na hipótese de um desentendimento de trânsito ou mesmo de tratar-se de um crime passional", disse.Um homem alto, magro, pilotando uma moto pequena, teria sido visto na noite de ontem, logo após o crime, que chocou a população de Guarujá. O prefeito Maurici Mariano (PTB) decretou luto oficial de três dias no município. Em seu decreto, lembrou que Ernesto Pereira "tinha produtiva atuação na vida política da cidade, com inestimáveis serviços prestados ao município e à comunidade".InsegurançaDurante o enterro de Pereira, muita gente lembrou-se de outro crime semelhante, ocorrido no dia 9 de maio de 1997, quando o vereador Orlando Falcão foi morto. Os responsáveis pela emboscada acabaram sendo presos, mas até hoje ninguém sabe quem foi o mandante.Para ajudar na elucidação do crime, o delegado Mílson Calves fez um apelo para que as pessoas que tenham qualquer informação a respeito compareçam à delegacia-sede do município ou liguem para o telefone 0800-550779 ou (13) 3355-6592.

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