Polícia suspeita de número maior de vítimas

Todos casos de homicídios de mulheres serão levantados pela investigação

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

28 Agosto 2008 | 00h00

A polícia de Guarulhos está fazendo um levantamento de todos os casos de homicídios cujas vítimas são mulheres que sofreram violência sexual. A idéia é verificar até quantas vítimas Leandro Basílio Rodrigues pode ter feito. Os policias trabalham com três certezas. A primeira é a de que Rodrigues é um maníaco que faria muito mais vítimas se não fosse preso rapidamente. A segunda é que dificilmente ele matou 50 mulheres, como alegou pouco depois de ser preso ainda sob efeito de crack. Por fim, os policiais acham muito provável que o acusado tenha feito mais do que as vítimas que ele confessou em seus interrogatórios. Rodrigues foi detido quando passava diante de uma base da PM que fica na metade do caminho entre a favela onde ele morava e o ginásio de esportes onde ele contou ter assassinado Gisele, de 26 anos, no começo da madrugada de ontem. O acusado contou que ia passar no barraco dos pais em busca de dinheiro. Queria fugir para Minas, onde nasceu. Ao ser detido, Rodrigues disse aos PMs que havia matado 50 mulheres em São Paulo, Minas e Rio. Depois, admitiu na Delegacia de Defesa da Mulher ter assassinado duas e violentado e roubado outras duas vítimas. À tarde, ao ser interrogado novamente, desta vez na Delegacia de Homicídios de Guarulhos, Rodrigues resolveu revelar que tinha assassinado uma terceira mulher, cujo crime ocorreu no bairro de Bom Clímaco, perto de onde o acusado morava. Trata-se de um homicídio cuja autoria era até então desconhecida pela polícia. Para ter certeza de que o acusado não estava inventando essa história, os investigadores da delegacia decidiram levá-lo até o local do crime para que ele explicasse como a vítima estava e como ela havia sido morta. A diligência foi realizada no começo da noite. "Precisamos ter cautela", disse o delegado Jurandyr Correa Sant?Anna, titular da Delegacia Seccional. A polícia ainda suspeita que o acusado tenha feito outras vítimas de estupro. Rodrigues, segundo a polícia, abordava as mulheres nas ruas, simulando estar armado. Levava as vítimas até um terreno baldio e as violentava. Fugia levando dinheiro e telefones celulares das mulheres, que ele trocava por droga. Um detalhe em seu braço esquerdo ajudou em seu reconhecimento: ele tem uma tatuagem de palhaço e uma outra de caveira. Aos policiais, Rodrigues disse não saber por que matou as mulheres. Afirmou que gostava de vê-las nuas e negou ter violentado as mulheres que ele assassinou. "É preciso aguardar os exames periciais. Ainda bem que prendemos rapidamente esse homem, pois ele certamente faria mais vítimas", afirmou o delegado Jurandyr.

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