Polícia tem retrato falado de seqüestrador de prefeito

O empresário Sérgio Gomes da Silva, que acompanhava o prefeito Celso Daniel (PT) quando ele foi seqüestrado, prestou depoimento ontem por sete horas no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Silva ajudou a montar o retrato falado de um dos criminosos, justamente o que tirou o prefeito da Mitsubishi Pajero do empresário.De acordo com as descrições de Silva, o seqüestrador era moreno, tinha 1,73 metro de altura, olhos e cabelos castanhos e aparentava idade entre 20 e 25 anos. O acompanhante do prefeito afirmou ao delegado do DHPP Armando de Oliveira Costa Filho que o bandido usava camiseta marrom clara.O depoimento do empresário começou às 16h15. Foi acompanhado pelos promotores criminais Sergio Peixoto Camargo, da capital, José Reinaldo Guimarães Carneiro, de Santo André, e Saulo Mohmri dos Santos Junior, de Itapecerica da Serra, indicados pela Procuradoria-Geral de Justiça para acompanhar o inquérito do caso.Vestindo camiseta branca e calça jeans, Silva foi ao DHPP na companhia dos delegados Dejar Gomes Neto e Fernando Schmidt e do chefe dos investigadores, Roberto Decomi. Em seguida, chegou o deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), que está acompanhando o caso a pedido da direção do partido.Ouvido na condição de vítima, Silva deixou a sede do DHPP escoltado por dois agentes do departamento. Ele passará a ter segurança 24 horas, feita por policiais do DHPP. O empresário não quis conversar com a imprensa. Seus assessores limitaram-se a informar que Silva vai conceder entrevista coletiva amanhã, na sede de sua empresa de peças para ônibus, a SóDiesel, no Parque São Lucas.Após o depoimento, Greenhalgh afirmou não acreditar que a picape Blazer encontrada ontem na zona sul da capital seja a mesma usada pelos assassinos de Celso Daniel, porque o carro não apresentava sinais de colisão. Segundo ele, a polícia está atenta a todas as picapes escuras do modelo Blazer. Por isso, qualquer suspeita poderá levar à apreensão do veículo para averiguações.O deputado também contestou comentários de um executivo ligado à Mitsubishi segundo o qual as portas da Pajero do empresário não poderiam ter destravado sozinhas, como alegou Silva no dia do crime (veja texto abaixo). "A Mitsubishi vende carros. Eles não são peritos. A palavra final sobre o defeito ou não na trava deve ser da perícia."O coordenador do Centro de Apoio Criminal das Promotorias de São Paulo, Arual Martins, afirmou que os três promotores acompanharão o inquérito, que será enviado ao Ministério Público Estadual (MPE) após ser concluído. "Temos muitas informações, umas fidedignas, outras não. Estamos filtrando-as. O modus operandi dos criminosos é usado em muitos tipos de crime, mas, enquanto não juntarmos todas as peças do quebra-cabeça, não devemos falar muito para não sermos precipitados."Moradores - Seis testemunhas que moram perto do local onde o corpo foi encontrado, em Juquitiba, vão prestar esclarecimentos à polícia hoje. O DHPP também já começou a identificar pessoas que presenciaram o momento em que Celso Daniel foi levado. A polícia apreendeu fitas de vídeo do restaurante Rubaiyat, nos Jardins, onde o prefeito e o amigo jantaram antes do seqüestro.

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