Polícia transfere jovens que ficavam algemados em banco no PA

Cinco jovens ficaram algemados em um banco de madeira durante quatro dias; delegado pode ser afastado

Carlos Mendes, de O Estado de S. Paulo,

11 de março de 2008 | 21h42

A polícia de Marabá, no sudeste do Pará, transferiu nesta terça-feira, 11, para o Centro de Internação de Adolescentes Masculinos (Ciam) os cinco jovens que ficaram algemados em um banco da delegacia daquela cidade durante quatro dias da semana passada. Quatro deles foram presos por policiais militares e levados para a delegacia sob a acusação de, armados, estar planejando assaltos. O outro adolescente é acusado de assassinar uma criança em um vilarejo da região. A explicação do delegado Francisco Eli Oliveira não convenceu as autoridades da Polícia Civil. Ele corre o risco de ser punido com o afastamento do cargo. Os adolescentes com idades entre 14 e 17 anos não foram colocados nas celas com outros presos e nem transferidos para o Ciam, como deveria ter feito Oliveira, que preferiu mantê-los em uma sala destinada aos policiais. Para evitar que fugissem, preferiu algemá-los em um pesado banco de madeira. E ainda mandou que dois investigadores, por precaução, vigiassem a porta da sala. O mesmo banco também já serviu para manter presos adultos, que algemados aguardavam transferência para a penitenciária do município. "Não temos celas aqui para atender a casos dessa natureza", justificou Oliveira. A transferência dos menores para o Ciam só não foi feita no mesmo dia da prisão, resumiu o delegado, em razão de uma licença de internação que deveria ser concedida pelo juiz da comarca. O delegado não explicou porque a licença não foi providenciada nos outros três dias em que os menores permaneceram na delegacia. Depois que a denúncia checou ao conhecimento da imprensa, o Departamento de Polícia do Interior, rapidamente, improvisou uma sala como cela provisória para presos em trânsito pela delegacia de Marabá. Em novembro do ano passado, uma menina de 15 anos ficou por 24 dias na companhia de vinte homens em uma cela da delegacia de Abaetetuba, também no Pará. A menina foi estuprada pelos presos.

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