Polícia troca tiros com acusado de matar músico francês

A polícia cercou e trocou tiros no fim da manhã desta quarta-feira com o principal suspeito da morte do músico francês Sebastien Emmanuel Gressez, 28 anos. Uma ligação ao Disque-Denúncia levou os agentes da Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deat) até um esconderijo na mata no Morro do Cruzeiro, em Japeri, na Baixada Fluminense. Sebastião Gama de Paula, o Tindoco, 27 anos, reagiu e houve intenso tiroteio. "Ainda não sabemos se ele está ferido ou morto. Estamos fazendo buscas na mata para tentar localizá-lo", afirmou o delegado Fernando Veloso.Nesta quarta, o delegado ouviu 14 dos 15 integrantes da banda South Side Crew - a viúva de Gressez não teve condições de prestar depoimento. Eles contaram que o músico foi abordado por Tindoco, que exigia o celular. Diante da negativa de Gressez, o criminoso deu a volta no jipe e ameaçou uma inglesa, que estava no banco do carona. A mulher e o filho do músico estavam no banco de trás.Tindoco chegou a vasculhar o carro. "Sem conseguir nada, o assaltante voltou à janela da primeira vítima e atirou. O criminoso já não pedia mais nada, segundo a testemunha. Ele demonstrou grande frieza. Depois de matar o músico, ainda tentou entrar no ônibus ", afirmou Veloso.Depois de quatro horas de interrogatório, o delegado não conseguiu esclarecer todas as dúvidas. A perícia revelou, por exemplo, que Gressez foi atingido por uma bala de calibre 765, que costuma ser usada em pistola. As testemunhas contaram, no entanto, que o criminoso portava um revólver. "Eles têm dificuldade até de identificar os autores. Foi muito difícil extrair informações", disse Veloso. O delegado tem certeza da participação de Tindoco porque ele foi reconhecido por um brasileiro integrante do grupo musical e por informações colhidas pela polícia em Japeri, no dia seguinte ao crime, além das ligações ao Disque-Denúncia.Maus-tratosA Sociedade União Internacional Protetora dos Animais (Suipa) recolheu quatro cães que estavam sendo mantidos pelos estrangeiros trancados havia dois dias em ônibus e um caminhão, sob sol forte. "Os animais estavam exaustos. Vamos mantê-los no nosso abrigo, até que os turistas retornem aos seus países. Nos comprometemos até em doar um saco de ração para a viagem", afirmou Izabel Nascimento, presidente da entidade, que teve de negociar com os donos dos animais, que não queriam entregar os cães.A Polícia Rodoviária Federal informou que ficará retido o ônibus do grupo que teve o pneu furado momentos antes do assalto e está num depósito da instituição. "O veículo não tem nenhuma condição de trafegar em rodovia federal ou perímetro urbano", informou o inspetor André Luiz Azevedo, assessor de imprensa da PRF. O veículo tem os pneus carecas e a placa aparenta estar irregular. Os músicos têm habilitação internacional.O inspetor reconheceu que houve falha da fiscalização da PRF, que permitiu que dois ônibus da banda em estado precário circulassem em estradas federais durante seis meses. Ele lembrou que só pelo posto da polícia na Rodovia Presidente Dutra circulam cerca de 80 mil veículos diariamente e que a fiscalização está voltada para coibir a criminalidade.Durante o dia, os músicos se mostraram agressivos e pelo segundo dia agrediram jornalistas e pedestres. Eles voltaram a cuspir e a arremessar objetos das janelas do Hotel Riazor, no Catete, na zona sul. Até um vaso de planta, deixado na portaria do hotel em homenagem a Gressez, foi lançado contra os repórteres. A Polícia Militar teve de intervir.

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