Polícia vai abrir novo inquérito contra Vilma

A polícia de Goiás vai abrir novo inquérito contra Vilma Martins Borges, mãe adotiva de Osvaldo Borges Junior, o Pedrinho, seqüestrado há 16 anos, em Brasília. Desta vez, Vilma é acusada de ter falsificado uma procuração que lhe dava plenos poderes sobre os direitos de Pedrinho e de Roberta Jamilly Martins Borges, que também teria sido seqüestrada por ela, em Goiânia, em 1979.Os dois são registrados e tornaram-se herdeiros do fiscal de rendas Osvaldo Borges, último marido de Vilma, morto há pouco mais de três meses. O caso foi denunciado na Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) pelo tabelião Brasilmar Queiroz Brasil, do Cartório de Notas e Registros Civis de Aparecida de Goiânia, nas proximidades da capital do Estado."A procuração dos filhos dá poderes gerais a Vilma", confirmou Brasil. "Pense em qualquer tipo de cessão de direito de uma pessoa para outra, que tudo isso está no documento", disse o delegado-chefe da Deic, Antônio Gonçalves Pereira dos Santos.A falsificação foi descoberta por acaso pelo tabelião, que recebeu um telefonema de um banco pedindo conferência de assinatura de Brasil na procuração. "O gerente me ligou para conferir alguns dados, quando notei a fraude grosseira. Imediatamente, comuniquei o fato à polícia", afirma o tabelião, que prestou depoimento na Deic.O documento estava impresso em papel timbrado, com números de livros e até com a assinatura do tabelião. O que chamou a atenção, porém, foi a falta de carimbo do cartório. "Vamos abrir inquérito para investigar os motivos que a levaram a fazer isso", afirmou o delegado Gonçalves. Vilma poderá responder por falsificação de documentos públicos.O cartório pediu uma investigação também na Corregedoria do Tribunal de Justiça de Goiás. Anteriormente, ela já tinha sido indiciada pela polícia por falsificação do registro de nascimento de Pedrinho e pelo seu seqüestro.Para o tabelião, um dos motivos da fraude seria a herança deixada por Osvaldo Borges.Apesar de não ser sua filha, o fiscal de rendas registrou Roberta, 16 anos depois de seu nascimento. A polícia de Goiás acredita que Roberta é, na verdade, Aparecida Fernanda Ribeiro, também seqüestrada. Com isso, além de Pedrinho, sua irmã adotiva também teria direitos aos benefícios. "Ela poderia ter descoberto alguma coisa, como conta bancária ou seguro em nome do Osvaldo", sugere Brasil.Vilma teria colocado duas datas diferentes na procuração. Coincidentemente, o falso documento foi feito depois da apresentação do laudo de DNA que comprovou que Pedrinho era o menino desaparecido da maternidade de Brasília, em 8 de novembro de 2002. Vilma errou ao colocar no início do documento 20 de outubro de 2002 e, no final, 20 de novembro."Foi nesse período que avançamos na apuração do caso", confirmou o delegado Hertz Andrade Santos, da polícia do Distrito Federal, responsável pelo descobrimento do paradeiro de Pedrinho.A polícia de Goiás não avançou nas investigações para tentar localizar um motorista que teria seqüestrado Aparecida em Goiânia e levado o bebê para Vilma, em Itaquari, no interior do Estado. O motorista já teria morrido, o que poderá acelerar o encerramento do inquérito. "Não temos pressa. Queremos o esclarecimento completo", diz Gonçalves.

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