Wilton Junior/AE
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Polícia vai entrar no Complexo do Alemão, diz comandante geral da PM

Coronel sugeriu que traficantes se entreguem. 'Depois que entrarmos, as coisas vão ser extremamente complicadas', disse; diretor do Afroreggae está no local conversando com os criminosos

estadão.com.br,

27 Novembro 2010 | 12h27

RIO - O comandante-geral da PM do Rio, coronel Mário Sérgio Duarte, afirmou neste sábado, 27, que os traficantes que estão no complexo de favelas do Alemão, na zona norte da capital, "devem se entregar enquanto há tempo". "Depois que entrarmos, as coisas vão ser extremamente complicadas", disse o policial. Segundo ele, isso vai ocorrer "a qualquer momento".

 

Uma hora depois deste ultimato, o diretor executivo do Grupo AfroReggae, José Junior, chegou à Favela da Grota, para conversar com traficantes. Entrou informando apenas que tinha que "resolver um assunto sério" e subiu a favela acompanhado por cinco homens por uma das ruas transversais da Avenida Itararé, uma das principais do complexo. Meia hora depois saiu dizendo que mais tarde poderia comentar alguma coisa. Júnior, que há 15 anos media conflitos em favelas do Rio, tem excelente relação com o governador do Estado, Sérgio Cabral Filho (PMDB), e seu vice, Luiz Fernando Pezão.

 

PMs e militares das forças armadas continuam fazendo contenções nas entradas das favelas. "Estamos chegando nos momentos finais para a retomada do Alemão. Estaremos do lado de fora por muito pouco tempo. Aqueles que querem se render devem fazer isso agora", declarou o comandante-geral da PM.

 

Para Duarte, "não há nenhuma chance de traficantes serem bem-sucedidos na tentativa de defesa do território". "Nossas forças têm toda a superioridade nesse momento; homens, equipamentos e munição com apoio de blindados e apoio aéreo", disse o coronel.

 

Com a figura de uma caveira, símbolo do Batalhão de Operações Especiais (Bope), da PM, colada no peito, o comandante-geral disse que a população dessas favelas deve ficar abrigada em casa para se proteger. Ele avisou que, para receberem o "tratamento que a lei determina", os traficantes "devem levantar suas armas e sair com armas e mãos sobre a cabeça". "Algumas lideranças já estão tentando fugir. Eles não são capazes de oferecer resistência. Estamos determinando sua rendição".

 

UPP. Referindo-se aos ataques com incêndios de carros e ônibus, Mário Sérgio disse que "um erro estratégico" dos criminosos acabou precipitando a operação no Alemão, e reconheceu que não há efetivo para a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no local.

 

"Ninguém falou até agora em modelo definitivo de UPP, mas em ações de resgate, de retomada", declarou. "Não vamos recuar na decisão de fazer a pacificação do Rio. Depois da missão no Alemão, teremos outras. Vamos retomar áreas onde o narcotráfico dominou, imperou e escravizou a população durante tantos anos".

 

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Mangueira. A mulher e a tia do chefe do tráfico da Mangueira Alexander Mendes da Silva, o Polegar, foram presas hoje de manhã. A mulher estava numa casa na Barra. A tia estava em um apartamento simples em Jacarepaguá. Elas estão na 9ª DP. A Polícia Civil cumpre cinco mandados de busca e apreensão e oito mandados de prisão. Polegar está foragido.

 

Sexta-feira. Traficantes abriram fogo contra soldados da Brigada de Infantaria e Paraquedistas do Exército, às 11 horas desta sexta, 27, justamente quando o general de brigada Fernando Sardemberg caminhava com a tropa pela rua Paranhos, no complexo do Alemão. O conjunto de favelas está cercado pelas forças policiais desde a sexta-feira. Dois tiros de fuzil foram disparados do alto do morro. Ninguém foi atingido. No segundo disparo, o general se preparava para cruzar a Travessa Laurinda.

 

De imediato, os fuzileiros fizeram a proteção do comandante que, naquele momento, falava ao telefone. Imediatamente Sardemberg repôs o capacete e se armou de um fuzil. Ele quis saber de onde tinham vindo os disparos. "Veio lá de cima? Isso não é bom". Os soldados se colocaram em posição de mira, mas não responderam aos disparos. De acordo com Sardemberg, a noite e a madrugada foram tensas no cerco à favela. "Atiraram até com balas traçantes", afirmou.

 

Segundo ele, todos os acessos do complexo estão tomados por 800 homens de três batalhões da Brigada de Infantaria e Paraquedistas do Exército. "Controlamos a entrada e a saída, garantindo o direito de ir e vir." Na sua avaliação, os traficantes estão bem armados. "Poder de combate eles têm. O problema é que essas armas estão nas mãos de uma garotada, o que torna a situação mais complexa."

 

(Alfredo Junqueira, Julia Baptista, Gabriela Moreira, Rodrigo Burgarelli, Clarissa Thomé, José Maria Tomazela, Felipe Werneck)

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