Polícia vai indiciar militares por homicídio

Segundo advogado, tenente chegou no Morro da Mineira dizendo: 'está aqui um presentinho para vocês'

Clarissa Thomé, Marcelo Auler e Talita Figueiredo , O Estado de S. Paulo

19 de junho de 2008 | 09h11

Os 11 militares - um tenente, três sargentos e sete soldados - envolvidos na entrega de três jovens do Morro da Providência a traficantes da Mineira, que acabaram sendo mortos, serão indiciados por homicídio, mesmo que vários deles aleguem que seguiam ordens do segundo-tenente Vinícius Ghidetti. O delegado Ricardo Dominguez, da 4ª DP, deve remeter ao 3º Tribunal do Júri, até segunda-feira, o relatório final do inquérito.   Veja também: Justiça ordena retirada das tropas  Recurso divide governo; caberá a presidente decidir Lula defende indenização para famílias de mortos Moradores relatam agressões de militares Força fez alerta sobre rivalidade entre morros Crivella usa imagens da obra em panfleto pré-eleitoral Mãe sugere rezar missa pelo filho no Morro da Mineira   O encarregado do Inquérito Policial Militar aberto no Comando Militar do Leste, capitão Peçanha, pediu a prisão preventiva por dez dias de quatro deles: além de Ghidetti, o terceiro-sargento Leandro Maia Bueno e os soldados José Ricardo Rodrigues de Araújo e Fabiano Eloi dos Santos . Segundo relatos dos próprios militares envolvidos no caso, os três rapazes foram detidos na manhã do dia 14 de junho, no alto do Morro da Providência. Uma amiga das vítimas confirmou o relato, contando que eles saíam de um táxi que os havia trazido de um baile funk do Morro da Mangueira, na zona norte. A patrulha militar parou os jovens, que foram revistados. Houve desacato e eles foram levados ao quartel.   Após o incidente em que foi registrado o desacato aos militares, o oficial do quartel não concordou com a decisão do tenente e mandou liberar os jovens. Ele, no entanto, não obedeceu a ordem.  Em depoimento, ele admitiu que decidiu entregar os rapazes aos traficantes da Mineira, que são da facção Amigos dos Amigos (ADA), inimigo direto do Comando Vermelho (CV), que atua na Providência. Segundo os depoimentos, Ghidetti entregou David Wilson Florêncio da Silva, de 24 anos, Marcos Paulo da Silva, de 17, e Wellington Gonzaga Costa, de 19, presos por desacato, aos traficantes como "um presentinho". "Os traficantes não estavam entendendo nada. O tenente disse: 'Está aqui um presentinho para vocês'. Os traficantes perguntaram se eram ‘alemães’ (de quadrilha inimiga). O oficial respondeu que eram de 'lá da Provi' (Providência)", contou o advogado Walmar Flávio de Jesus.  

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