Polícia vai ouvir parentes de fonoaudióloga

O delegado Paulo Passos, titular da Delegacia de Homicídios, irá ouvir amanhã o ex-marido e o filho da fonoaudióloga Márcia Maria Lopes Coelho Lira, Luiz Paulo e Marcelo Lira, de 15 anos. Passos acredita que com os depoimentos das duas vítimas, ele poderá esclarecer o responsável pelo estupro de Márcia e de sua filha A., de 13 anos. A confirmação, porém, só será possível com o resultado exame de DNA feito em A., que deverá sair em um mês.A fonoaudióloga, que há seis anos era assessora do deputado estadual Carlos Minc (PT), foi assassinada a facadas em sua casa, em Santa Teresa, centro do Rio, no último dia 26, depois de uma tentativa de assalto cometida por três pessoas. Dois homens foram presos - um deles, Marcelo Melo dos Santos, foi encontrado enforcado dentro da cela onde estava preso, na Polinter. O delegado já tem a descrição do terceiro criminoso que teria participado do assalto e que continua foragido. Ele seria um homem negro, com cabelo curto e 1,70 de altura.Amanhã deve sair o laudo da perícia sobre a morte de Santos. A polícia acredita realmente em suicídio, embora o governador Anthony Garotinho tenha determinado que a polícia investigue todas as hipóteses sobre o caso. A mulher de Santos, a doméstica Erinalva Maria Barbosa, de 42 anos, que delatou o marido à polícia, duvida que ele tenha cometido suicídio e já decidiu acionar judicialmente o Estado.O delegado Paulo Passos investiga duas versões para o crime. A primeira, relatada pelo assaltante Marcelo Melo dos Santos, seria a de que o pedreiro Alan Marques da Costa, de 21 anos, que trabalhava para Márcia, teria sido o mentor do assalto e autor dos estupros. Santos informou que havia sido responsável apenas pelos saques de R$ 500 em dinheiro realizado pela quadrilha com cartão de bancos da família.A segunda versão para o crime, investigada pelo delegado da Homicídios, baseia-se no depoimento de Marques prestado à polícia. Segundo o pedreiro, ele teria sido rendido na Rua Áurea, a cerca de 100 metros da casa da fonoaudióloga, por um homem negro que se disse amigo de Santos. No diálogo, o homem teria dito que Santos o esperava na casa de Márcia."O mais estranho é que nenhum dos dois se conhecia pessoalmente, mas mesmo assim eles se reconheceram na rua. Como pode? Isso está nebuloso", questionou o delegado. Passos acredita que, embora Marques tenha admitido ter esfaqueado T., o pedreiro apenas teria repassado informações sobre os hábitos da família da fonoaudióloga para os seus comparsas."Na verdade, o mais perigoso era o Marcelo Santos, mas serão os depoimentos de Luiz Paulo e de Marcelo que vão esclarecer a participação de cada um nesse caso", disse. Luiz Paulo viveu todo o drama de Márcia e sua filha, embora não pudesse ter feito nada para deter o assalto. O Pai e o filho foram encontrados amarrados dentro de um quarto da casa.

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