Polícia vê falha de controle de trens

A manobra que provocou o choque de trens no qual 8 pessoas morreram e 101 se feriram anteontem, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, havia sido autorizada pelo Centro de Controle de Operações da Supervia, concessionária da ferrovia. A informação foi divulgada ontem pelo delegado Fábio Pacífico, que investiga o caso. Segundo ele, se não houvesse a colisão entre um trem vazio e um de passageiros, este último teria descarrilado. Isso porque o desvio nos trilhos estava acionado para a manobra do carro vazio, que trocava de linha. "O trem vinha a 80 quilômetros por hora e, certamente, haveria descarrilamento (porque o veículo não conseguiria acompanhar a curva do desvio)." Os dois trens circulavam em sentidos opostos e bateram a 200 metros da Estação de Austin, no Ramal de Japeri. O carro que estava vazio saía da pista pelo desvio quando foi atingido, no último vagão, pela composição com passageiros. Para o delegado, a causa mais provável do acidente é a de falha humana. Ele ainda não sabe se o erro foi do Centro de Controle ou do maquinista do trem de passageiros, ferido no acidente, que corre o risco de ficar tetraplégico. Titular da 58ª Delegacia, em Nova Iguaçu, o policial chegou a essa conclusão depois de ouvir ontem um técnico de manutenção que estava com o maquinista na cabine do trem vazio. De acordo com o funcionário, a composição tinha passado por manutenção e estava em teste para voltar a operar. "Esse técnico confirmou que a manobra para troca de linha estava autorizada pelo Centro de Controle de Operações e a chave estava invertida (ou seja, o desvio estava acionado)", disse o policial. Essa chave é comandada pelo Centro de Controle. O delegado espera interrogar na segunda-feira os funcionários do Centro de Controle, mas ainda não tem previsão de data para ouvir o maquinista. Pacífico pedirá as fitas com as conversas entre os maquinistas e os operadores do centro. Os responsáveis pelo acidente vão ser indiciados por homicídio culposo (sem intenção) e por lesão corporal. ?ESPECULAÇÃO? A Assessoria de Imprensa da Supervia informou que a empresa não comentaria as declarações do delegado, que classificou de "especulação". Para a empresa, qualquer "justificativa para o acidente é precipitada, prematura e irresponsável". A concessionária informou que foi criada uma comissão para apurar as causas do acidente e o laudo sai em dez dias. Na manhã de ontem, 60 homens removeram destroços dos trens. O Ramal de Japeri permaneceu parcialmente interditado.

Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2001 | 00h00

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