Policiais acusados de corrupção prestam depoimento

O major Fábio Gutman e o capitão Wellington Medeiros, do Grupamento Especial Tático-Móvel (Getam), acusaram nesta quinta-feira, em depoimento à Auditoria Militar do Tribunal de Justiça, o presidente da Associação de Moradores da Cidade de Deus, Alexandre Lima, de ser um mensageiro do tráfico e de lhes ter oferecido dinheiro em troca de "proteção" para criminosos.Os policiais e o comandante do grupo de elite de PM, tenente-coronel José Carlos Dias de Azevedo, foram presos quarta-feira, após terem sido gravados exigindo R$ 120 mil mensais para não ir à favela.Lima denunciou os oficiais ao comandante-geral da PM, que determinou a abertura de inquérito e pediu que o Serviço Reservado da PM (P-2) equipasse o presidente da associação com microgravador e o monitorasse durante encontro em 29 de novembro.O major e o capitão afirmaram que convidaram Lima para um almoço e para a reunião no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP) não para combinar propina, mas para tentar prendê-lo. Não explicaram por que não o detiveram quando a suposta proposta foi feita.A gravação mostra os PMs exigindo dinheiro. "Ele (comandante Dias) vai p... até pagarem. (...)", afirmou Gutman. Depois de saber que não haveria acordo, o capitão Medeiros disse, no dia 10: "As meninas (traficantes) vão pagar para ver, vão perder o emprego e os meus meninos é que vão mandar na favela".Nos dias 16 e 17, o Getam fez operações na Cidade de Deus, com a prisão de sete pessoas. Para o Ministério Público, seria uma represália dos policiais. Desde 27 de novembro, quando ocorreu uma reunião entre Lima e os oficiais, não havia incursões com ocorrências.Em vários momentos do depoimento, os oficiais se calaram ou se mostraram nervosos. Em outros, se contradisseram. O juiz da Auditoria Militar Alcides da Fonseca Neto negou a reconsideração da denúncia e do pedido de prisão de outros dois PMs acusados pelo MP.

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