Policiais civis de MG rejeitam proposta do governo e mantêm greve

Após a decisão, centenas de profissionais seguiram em passeata para o centro de Belo Horizonte, junto com professores estaduais, que também estão paralisados

Marcelo Portela, O Estado de S. Paulo

08 de junho de 2011 | 18h19

BELO HORIZONTE - Policiais civis de Minas Gerais decidiram nesta quarta-feira, 8, rejeitar proposta de reajuste do governo, mantiveram o estado de greve iniciado há cerca de um mês e ameaçam parar de vez as atividades. Após a decisão, centenas de profissionais que participaram da assembleia da categoria na Praça da Liberdade, antiga sede do Executivo estadual, seguiram em passeata para a Praça Sete, no centro da cidade, onde se encontraram com professores estaduais, que também decidiram hoje, em reunião em frente à Assembleia Legislativa, manter a greve iniciada na semana passada. O tráfego praticamente parou na região central da capital.

 

Na terça-feira, 7, cerca de 400 delegados da Polícia Civil já haviam feito manifestação na sede do Legislativo mineiro, também em protesto por aumento de salário e melhoria nas condições de trabalho. Eles ameaçaram ainda usar as viaturas para levar para as penitenciárias os mais de 8 mil presos que atualmente estão sob custódia da polícia em delegacias do Estado. Hoje, policiais militares e homens do Corpo de Bombeiros também realizaram uma assembleia, mas, até o fim da tarde, ainda não havia uma decisão da categoria, que estava dividida.

 

Durante encontro na segunda-feira, 6, a secretária de Estado de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena, apresentou aos policiais civis e militares proposta de reajustes escalonados até 2015. Pela proposta, os integrantes das forças de segurança, incluindo inativos, receberiam 7% de reajuste em dezembro, 7%, 10% em outubro de 2012, 13% em agosto de 2013, 15% em junho de 2014, 12% em dezembro do mesmo ano e 15% em abril de 2015. "Acredito que é um valor que jamais era esperado pela categoria. Nós estamos conseguindo atender a essa reivindicação e sabemos que chegaremos ao final como sendo o Estado com o melhor salário para as polícias", disse a secretária.

 

No mesmo dia, os representantes da categoria já haviam indicado a intenção de recusar a proposta, decisão confirmada hoje na assembleia. Durante o encontro, os policiais ainda receberam mensagem do governo aumentando para 10% o primeiro reajuste, que seria concedido em outubro ao invés de dezembro, mas a proposta também foi rejeitada. "Não foi isso que nós pedimos. O que a Polícia Civil quer é a antecipação das vantagens que teríamos ao longo da carreira para agora. Uma reestruturação da carreira", declarou o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Minas Gerais (Sindpol-MG), Denílson Martins.

 

Hoje, o salário inicial de um agente é de R$ 2.041, mas os policiais reivindicam salário único de R$ 4,2 mil para a categoria. Já o vencimento de um delegado em início de carreira é de R$ 5,2 mil e os profissionais querem equiparação com os defensores públicos do Estado, que recebem cerca de R$ 8 mil mensais. Outra queixa dos policiais é relativa à falta de pessoal. O efetivo atual da Polícia Civil é de cerca de 10 mil agentes.

 

Plantões. No mês passado, o governo anunciou concurso para a contratação de 144 delegados e 205 escrivães, mas a categoria afirma que seriam necessários ao menos mais oito mil policiais no Estado. A falta de pessoal é a principal causa para o excesso da jornada de trabalho, que levou à suspensão dos plantões noturnos e de fins de semana em diversas delegacias do Estado.

 

Os policiais adotaram o chamado "Movimento pela Estrita Legalidade", com exigência do cumprimento da Lei Orgânica da categoria, que prevê jornada de 40 horas semanais. No entanto, no fim da semana passada, o governo anunciou a retomada dos plantões, com oferta de aumento de vencimentos para aposentados que quiserem voltar à ativa, criação de banco de horas e oferta de benefícios àqueles que têm tempo para se aposentar mas optarem por permanecer na função.

 

A proposta foi rechaçada pelos profissionais. "Haverá oficialmente a entrega dos presos nos presídios. Vamos mandar com viatura e tudo", disse o diretor do Sindicato dos Delegados de Polícia de Minas Gerais (Sindepominas), Ronaldo Cardoso Alves. Os delegados também ameaçam com a "devolução" de funcionários que atuam como escrivães e carcereiros, mas são cedidos por prefeituras em cidades do interior, onde as delegacias não possuem infraestrutura. "Isso quer dizer, na prática, a eliminação de quase 50% do trabalho de atividade de apoio da polícia."

 

Colaborou Eduardo Kattah.

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