Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Policiais civis, militares e Corpo de Bombeiros decretam greve no Rio

Comando da Polícia Militar divulgou nota na qual afirma que não há paralisação de nenhum serviço da corporação

Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

09 Fevereiro 2012 | 23h33

Texto atualizado às 9h35 do dia 10/2 para acréscimo de informações

RIO - A uma semana do carnaval, o corpo de bombeiros e policiais civis e militares do Estado do Rio decidiram entrar em greve a partir desta sexta-feira. O anúncio ocorreu ao final de uma manifestação que durou quase seis horas, na Cinelândia, no centro do Rio, com participação de cerca de 3 mil pessoas, segundo a PM.

O secretário estadual de Defesa Civil e comandante dos bombeiros, Sérgio Simões, disse esperar que a adesão seja mínima. "É greve geral e a culpa é do Cabral, estamos parados oficialmente a partir de agora", anunciou do alto de um palanque montado em frente à Câmara Municipal o cabo do 22º Batalhão da Polícia Militar Wellington Machado, porta-voz da comissão que decidiu pela paralisação.

Machado afirmou que a segurança no Estado do Rio a partir daquele momento era responsabilidade do Exército e da Força Nacional de Segurança. O policial recomendou que a tropa se dirigisse aos quartéis e discursou: "Agora não é hora de aceitar intimidação e ameaça. Se prender um de nós, vai ter que prender todo mundo. Ninguém agora vai arregar, porque aqui não tem covarde".

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Fernando Bandeira, afirmou que "no máximo" 30% da categoria será mantida nas delegacias para atender as ocorrências em que houver violência ou grave ameaça. A princípio, a Delegacia de Homicídios funcionará normalmente. A comissão que decidiu pela greve teve a participação da deputada estadual Janira Rocha (PSOL).

No início da assembleia, representantes das categorias deram um ultimato ao governo do Estado. Decidiriam pela greve se, até meia-noite, o governo não cumprisse cinco exigências: piso salarial de R$ 3.500, vale-transporte de R$ 350, tíquete-refeição de R$ 350, jornada de 40 horas semanais com pagamento de horas extras e libertação do cabo Benevenuto Daciolo, líder do movimento preso anteontem à noite acusado de incitamento e aliciamento a motim.

Segundo Machado, a paralisação só vai terminar quando o bombeiro for libertado. "Estamos acendendo o pavio até meia-noite", afirmou o 2º sargento Paulo Nascimento, outro líder dos grevistas. Ele dizia estar desarmado e de folga e classificava o movimento como "pacífico, pela dignidade".

O Comando da Polícia Militar divulgou nota nesta sexta-feira, na qual afirma que não há paralisação de nenhum serviço da corporação.

Leia a íntegra: "O Comando da Polícia Militar informa que na madrugada desta sexta-feira todas suas unidades estão em pleno funcionamento, contando inclusive com o apoio de policiais do BOPE e do BPChq no patrulhamento. Não há paralisação de nenhum tipo de serviço para o cidadão. A Polícia Militar reitera seu compromisso com a segurança da população do Rio de Janeiro".

Tranquilidade. O chefe de comunicação da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Coronel Frederico Caldas afirmou à rádio EstadãoESPN, nesta sexta-feira pela manhã, que 100% dos policiais do Rio estão na rua e justificou dizendo que "não houve interrupção dos nossos serviços (policiais)".

Segundo Caldas, a madrugada e o começo da manhã desta sexta foi tranquilo. "Não há qualquer problema na segurança pública do Rio de Janeiro", disse o coronel, que descartou o uso da Força Nacional de Segurança no Rio de Janeiro.

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