Policiais de elite do Rio são denunciados por corrupção

O tenente-coronel José Carlos Dias de Azevedo, comandante do Grupamento Especial Tático Móvel (Getam) da Polícia Militar (PM), o major Fábio Gutman e o capitão Wellington de Carvalho Medeiros foram presos preventivamente nesta quarta-feira, denunciados pelo Ministério Público por corrupção.Gravações do Serviço Reservado da PM registram os oficiais pedindo R$ 120 mil mensais de traficantes da Cidade de Deus, em Jacarepaguá, na zona oeste. O promotor Tiago Joffily os denunciou por crime de concussão, cuja pena varia de 2 a 8 anos.O presidente da Associação de Moradores da comunidade, Alexandre do Rego Lima, registrou com gravador escondido um encontro para tratar da propina com Gutman e Medeiros, em 29 de novembro, no Centro de Formação de Aprendizes de Praça (CFAP) da PM. Lima serviria como intermediário para os traficantes."Quem vai zoar a p... da favela é o Getam, e não tem essa p..., quer pagar para lá (outro grupo de PMs), paga! Não quer pagar para o Getam, não paga! Essa indefinição não tá com nada, ele (Dias) falou que quer, ele quer é 120 contos na mão!", diz Gutman.O comandante do Getam, grupo de elite da polícia, participou da conversa por meio de um aparelho de rádio. Ele chegou a recomendar cautela aos comandados para tratar do assunto. "Cuidado aí com as ligações, com rádio..." O Ministério Público denunciou o capitão Renato Botelho e o tenente Sandro Aguiar dos Santos, mas a Justiça não acolheu o pedido.Lima disse em depoimento ter sido procurado por Gutman (coordenador da região da Barra da Tijuca) e Medeiros (coordenador central do Getam) para marcar um encontro em 27 de novembro. Os dois teriam lhe proposto "pagamento de quantia pecuniária (...), que seria cerca de R$ 4 mil por dia (...) e solicitaram que tal proposta fosse levada aos líderes do tráfico na favela".O Getam passou a realizar operações freqüentes na Cidade de Deus com a intenção de forçar os criminosos a aceitar a proposta, segundo Lima. Uma grande operação, nesta terça-feira, teria sido feita em represália ao não-pagamento.Após o primeiro pedido, Lima procurou o tenente-coronel Marco Aurélio de Moura, comandante do 18º Batalhão, onde também fica o Getam, para delatar a trama.Moura marcou uma audiência com o comandante-geral da PM, Francisco Braz, para a manhã seguinte, quando Lima recebeu dois telefonemas de alguém a quem se referiu como "capitão" (seria Medeiros), para confirmar um novo encontro, às 13 horas daquele dia.Braz pediu que ele fosse monitorado por agentes do Serviço Reservado da PM e levasse um gravador escondido para registrar a conversa. Determinou ainda a abertura "urgente" de Inquérito Policial Militar. No encontro, Gutman exigiu que os R$ 120 mil fossem entregues até o dia 30, em horário a ser definido.O major e Medeiros pressionaram Lima a garantir o pagamento e ameaçaram aumentar a repressão no local. É citado também um suposto pagamento de R$ 8 mil de traficantes para policiais do Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) da Cidade de Deus.

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