Policiais de Suzano achacam PCC e 7 morrem

Facção pagou R$ 40 mil para agentes soltarem traficante, mas criminoso seguiu preso

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2008 | 00h00

A promessa não cumprida de soltar um traficante de drogas do Primeiro Comando da Capital (PCC) após o pagamento de R$ 40 mil de propina provocou a guerra entre a facção e a polícia de Suzano que deixou sete mortos em 2006 - quatro criminosos, dois policiais e o amigo dos policiais. Quem revelou os detalhes dessa trama e acusou dois investigadores de polícia de receber o dinheiro e não cumprir o trato com a facção foi vendedor João Carlos Caciari, de 26 anos, um dos matadores que o PCC usou para executar os policiais.Caciari foi interrogado no dia 1º de fevereiro de 2008 pela delegada Vânia Penezi Ahmad Bakr, na Delegacia de Suzano, pouco depois de ser preso. "Até então ninguém havia tido a coragem de pôr isso no papel", afirmou um delegado que acompanhou o caso. Caciari revelou que, uma semana antes da morte dos policiais civis, Júlio César Ribeiro da Silva, dono de uma boca de fumo no bairro do Marengo, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, recebeu um telefonema de um policial de Suzano. O policial dizia que "estava com o Pebinha na mão e queria fazer um acerto para facilitar sua fuga".Gilmar de Holanda Lisboa, o Pebinha, havia sido preso em Diadema dias antes e estava detido em Suzano. Os policiais disseram ainda que, após o pagamento, "iam ligar para marcar a data e o local do resgate". Dois dias depois, os policiais ligaram para Júlio e marcaram para receber o dinheiro na frente de uma lanchonete no Jardim Revista. Júlio entregou a Caciari o dinheiro para o acerto, e ele foi entregá-lo aos policiais.No lugar marcado, dois policiais apareceram em um Gol branco. Caciari entregou o dinheiro. Segundo ele, tratava-se de dois investigadores da delegacia. Mas, depois de receberem o dinheiro, os policiais não cumpriram sua parte no trato. Em represália à falta dos policiais, o PCC decidiu vingar-se.O ataque à Delegacia de Suzano falhou porque as conversas dos criminosos foram interceptadas pela inteligência policial, que não sabia da extorsão. O efetivo da delegacia foi reforçado e os bandidos foram recebidos à bala. Quatro deles morreram. Era 7 de abril de 2006.A ação aumentou a revolta do PCC. No dia seguinte, os integrantes da facção receberam a ordem: matar qualquer policial de Suzano. Os bandidos acharam dois carcereiros e um amigo deles que não tinham relação com o achaque. Eles foram executados. Depois da guerra, os investigadores suspeitos do achaque deixaram Suzano. Por ordem superior, um deles foi parar na Divisão de Crimes Fazendários. O caso agora está sob a apuração do Grupo de Atuação Especial Regional para Repressão ao Crime Organizado (Gaerco) de Guarulhos e da Corregedoria da Polícia Civil.

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