Policiais decidem continuar em greve

Ato na Assembléia teve muitas vaias; audiência pública será na 5.ª

O Estadao de S.Paulo

24 Outubro 2008 | 00h00

Policiais civis protestaram na Assembléia Legislativa de São Paulo contra o projeto de aumento salarial apresentado pelo governo e decidiram seguir em greve. A paralisação dura 38 dias. Diferentemente da manifestação do dia 16, quando houve confronto com PMs, o ato de ontem transcorreu sem incidentes. Ficou definida uma audiência pública para discutir as propostas do governo na próxima quinta-feira. Líderes de oposição querem a presença dos secretários da Fazenda, Mauro Ricardo, da Gestão Pública, Sidney Beraldo, e da Segurança, Ronaldo Marzagão. Os governistas discordam e estudam a ida de um representante. A idéia de recorrer a tropas federais para evitar novo confronto foi arquivada. Pelo menos 300 policiais civis ocuparam o plenário, às 14 horas. Os grevistas viraram as costas para o deputado Barros Munhoz (PSDB), líder do governo, e o vaiaram assim que o parlamentar começou a discursar, defendendo o projeto governamental e pedindo à categoria o fim da greve. O projeto do governo prevê reajustes de 6,5% em 2009 e mais 6,5% em 2010. Os policiais civis reivindicam 15% este ano, 12% em 2009 e 12% em 2010. Barros Munhoz diz que vai ser difícil chegar a esses números: "Hoje temos 132 mil policiais civis e militares na ativa. Eles custam R$ 800 milhões por ano. Com o aumento proposto pelo governo, os gastos podem atingir R$ 830 milhões." Já o deputado Major Olímpio (PV) classificou de "insulto" a proposta governista. O parlamentar afirmou que na próxima segunda-feira apoiará a manifestação da categoria na Praça da Sé. O petista Roberto Felício foi aplaudido pelos policiais após afirmar que faltou tato ao governo. Também culpou o governo Serra pelo confronto da semana passada. O deputado Fernando Capez (PSDB) também foi vaiado, principalmente quando afirmou que a greve não era o melhor caminho. Depois dele discursou o deputado Adriano Diogo (PT): ele criticou Capez, que é promotor de Justiça, e disse que, no Ministério Público, os promotores tiveram aumento de 80% de uma só vez. Ao final da manifestação, representantes de sindicatos e associações da Polícia Civil se reuniram com líderes do governo para discutir emendas ao projeto de lei. A apresentação dessas emendas deve ser feita hoje. Além da elevação do porcentual de reajuste, os sindicalistas propõem incorporação do Adicional de Localidade em Exercício (ALE) aos salários, o que beneficiaria também os aposentados. OUTRAS REGIÕES Em Ribeirão Preto, pouco mais de cem policiais fizeram duas manifestações, ontem. Às 16 horas, eles se reuniram no pátio do 1º DP e às 18 horas seguiram para a sessão da Câmara, onde seriam ouvidos pelos vereadores. Em Piracicaba, ao menos 200 policiais saíram às ruas, com apitos e cartazes com críticas ao governador e ao secretário Marzagão. Em Santos, o sindicato prepara pelo menos dois ônibus para levar policiais da região à manifestação marcada para a segunda-feira, em São Paulo. JOSMAR JOZINO, BRÁS HENRIQUE, REJANE LIMA e TATIANA FÁVARO

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