Policiais desmontam centrais telefônicas usadas pelo PCC

A polícia de Ribeirão Preto desmontou, durante esta semana, duas centrais telefônicas clandestinas usadas por presos do Centro de Detenção Provisória (CDP) e da Penitenciária do município. Outras três centrais estão sendo investigadas. Todas estariam prestando serviços aos detentos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Após uma denúncia anônima, foram presas em flagrante, no Jardim Helena, Bárbara Aparecida Seixas, de 24 anos, e Yolanda Medeiros Fonseca, de 29, autuadas por estelionato. As duas foram levadas para a cadeia de São Simão. No Parque São Sebastião, um adolescente, de 17 anos, foi apreendido em outra central telefônica e encaminhado ao Juizado da Infância e da Juventude. Só nessas duas centrais, o prejuízo da empresa de telefonia foi de cerca de R$ 150 mil.As duas centrais telefônicas localizadas serviam ao crime organizado, controlando tráfico de drogas e até roubos e homicídios por meio de aparelhos celulares. Nesse esquema, as linhas fixas eram adquiridas de forma fraudulenta, com o fornecimento de dados cadastrais falsos de uma pessoa. Porém, o endereço era real, mas de outra pessoa. A partir da instalação da linha telefônica, os serviços de transferências de chamadas eram ativados para os contatos com os presos. Bárbara e Yolanda receberam R$ 30 para instalar uma linha fixa, mas a conta em menos de um mês chegou a cerca de R$ 80 mil. Na outra central, a conta estava em torno de R$ 70 mil. Durante a semana, mais de 50 telefones celulares foram encontrados numa revista dentro da penitenciária.O Setor de Patrimônio, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), comandado pelo delegado Luciano Henrique Cintra, investiga outros casos, pois, quando ocorre o desligamento da linha telefônica, os golpistas ainda usam outro esquema. Eles ligam para os telefones fixos de vários clientes comuns, identificando-se como funcionários da empresa de telefonia. Dizem que a rede ficará em manutenção por determinado período, mas para isso precisam digitar algumas teclas (geralmente asterisco, seguido do zero, do número da operadora e de outro asterisco), ativando o "siga-me".O telefone fica mudo e o que ocorre é que a linha é transferida automaticamente para telefones celulares usados por presos ou outros criminosos em liberdade. A conta telefônica, porém, vai para o dono da linha, que terá que registrar boletim de ocorrência e entrar com um processo no Procon para tentar escapar da dívida. Após o desmonte das duas centrais, pelo menos duas pessoas foram à delegacia informar que foram lesadas. Mas dezenas delas já haviam feito denúncias semelhantes nas semanas anteriores. Em outras cidades da região também ocorreram fraudes semelhantes.

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