Policiais do Deic acusados de sequestro e roubo

Delegado e investigadores teriam achacado traficante de drogas no litoral; um deles foi preso

Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

10 de janeiro de 2009 | 00h00

A Justiça de Peruíbe, no litoral de São Paulo, decretou ontem a prisão temporária de três policiais civis do Departamento de Investigações Sobre Crime Organizado (Deic) acusados de sequestrar, achacar e roubar um traficante de drogas ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Santos também pediram a prisão do delegado Marcelo Teixeira Silva - um dos responsáveis por recuperar as duas telas milionárias furtadas do Museu de Arte de São Paulo (Masp) em dezembro de 2007 -, mas a Justiça indeferiu.À noite, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Corregedoria havia detido apenas José Antonio Leite Lopes. Os investigadores Sérgio José da Silva e Sílvio Alexander de Barros não foram localizados, pois, segundo a SSP, "estavam em férias".Em 30 de setembro, seis policiais do Deic foram até Peruíbe e abordaram Paulo César Ferreira Souza, o Pulina, apontado como o chefe do tráfico de drogas na cidade. Num depósito usado por ele, os investigadores teriam subtraído pelo menos 100 quilos de entorpecentes - entre cocaína, crack e maconha. Em vez de prender o traficante procurado pela Justiça, os homens do Deic sequestraram Souza. E, durante mais de 12 horas, passaram a exigir R$ 200 mil para libertá-lo.O que os policiais não desconfiavam era de que o traficante estava sendo monitorado pelo Departamento de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc). Ao perceber que Souza havia sido abordado, um investigador do Denarc acionou a PM. Uma equipe da Força Tática encontrou os policiais do Deic com o traficante, mas foi embora a pedido deles. A justificativa foi de que a presença dos PMs "atrapalharia a diligência".Em 1º de outubro, o Denarc interceptou a primeira conversa entre o traficante e os policiais do Deic. "O traficante só faltou chorar ao telefone para acalmar a sanha monetária do policial", escreveram os promotores Cássio Conserino e Ana Maria Molinari, do Gaeco. Depois de muito insistir, o traficante conseguiu fazer com que os policiais aceitassem R$ 50 mil para liberá-lo. Pelo monitoramento telefônico do celular do criminoso, o Denarc pôde verificar que toda a negociação entre os investigadores e Souza ocorria a poucos metros da sede do Deic, na zona norte da capital. O traficante acabou preso pela PM na antevéspera do Natal. Em depoimento aos promotores do Gaeco, ele confirmou a extorsão e disse que pagou os policiais em dinheiro. Confirmou ainda os veículos usados pelos investigadores - um Santana branco e uma viatura comum. A pedido do Gaeco, a Ecovias, concessionária que administra o sistema Anchieta-Imigrantes, atestou que os carros passaram pelo pedágio no dia 30 de setembro.Pouco mais de dois meses após liberarem Souza, em 4 de dezembro, os policiais do Deic elaboraram um inquérito em que apenas mencionam apreensão da droga - possivelmente uma quantidade inferior à encontrada, diz o Gaeco - e sem relacioná-la ao traficante.

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