Policiais do Denarc são acusados de extorsão

Vítima era suspeito de achacar namorada de filho de policial militar

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

01 de fevereiro de 2008 | 00h00

A desconfiança de M. M. de que a nova namorada de seu filho não era "moça de boa família" terminou com policiais do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) como alvo de investigação requisitada pelo Ministério Público Estadual (MPE). Agentes do departamento são mais uma vez acusados de achaque e espancamento. O promotor Luiz Roberto Cicogna Faggione pediu abertura de inquérito, pois vislumbrou indícios de abuso de autoridade, quando eles invadiram, em 30 de outubro de 2007, na Vila Prudente, a casa do empresário José Roberto de Sá, que teve o irmão, o detetive particular Hamilton Reis de Sá, de 50 anos, preso pelo Denarc.A história começou no segundo semestre de 2007, quando o filho da médica M.M. e de um coronel da PM anunciou o namoro com G. C. G.. A mãe, desconfiada, contratou o detetive particular Hamilton, que acompanhou o dia-a-dia de G.C.G.. Segundo a promotoria, Hamilton descobriu que "G. concedia favores sexuais em troca de dinheiro". Ele teria passado "a extorqui-la, solicitando dinheiro e favores sexuais para não revelar as atividades da moça".G. marcou encontro com Hamilton, mas no lugar apareceram policiais do Grupo de Apoio e Proteção à Escola (Gape), do Denarc. "Estavam em três viaturas e pegaram meu irmão, que estava em uma moto", disse José Roberto. "Queriam R$ 30 mil para não prendê-lo." Eram 13 horas. Como Hamilton não tinha o dinheiro, apanhou. Os investigadores exigiram que ele vendesse a moto e lhes desse R$ 15 mil. O detetive disse que ela não era sua. "A moto é minha. Então, eles foram até minha casa", afirmou o empresário. Segundo ele, eram cinco policiais e um informante. Os investigadores apontaram armas para sua mulher, seu filho e até para o neto de 2 anos. Quebraram móveis, apanharam um computador e fotografaram a casa e automóveis. "Saíram de lá correndo quando avisei a Corregedoria", afirmou.Foi então que os policiais do Denarc resolveram formalizar a prisão em flagrante de seu irmão. "À noite, bateram mais nele. Não se conformavam de não terem recebido o dinheiro." Acusado de extorquir G. em R$ 250, Hamilton foi parar na cadeia e lá permanece até hoje, pois responde a processo na 17ª Vara Criminal de São Paulo. José Roberto e M. fizeram representação contra o delegado Flávio Eduardo Hengler Mirisola, que comandava a diligência, e a encaminharam ao juiz-corregedor Alex Tadeu Zilenovski, do Departamento de Inquéritos Policial (Dipo). Este a encaminhou ao Grupo de Atuação Especial e Controle Externo da Atividade Policial (Gecep), cujos promotores requisitaram a abertura de inquérito policial na Corregedoria da Polícia Civil. Também pediram que a Corregedoria da PM apure a conduta de José Roberto e requisitaram depoimentos de envolvidos.O delegado disse que a ação na casa de José Roberto foi "um desdobramento natural da prisão (de Hamilton), uma vez que já tinha o flagrante de extorsão (contra G.C.G.)". Segundo Mirisola, Hamilton tem na ficha um caso de atentado violento ao pudor, dois outros de extorsão, um roubo e um furto. A Secretaria da Segurança informou que "vai ser aberta apuração preliminar na Corregedoria para verificar se houve irregularidade". COLABOROU RODRIGO PEREIRA

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