Policiais do Rio usam internet para se defender de críticas

Nesta sexta-feira, governo estadual divulgou estatísticas que mostram aumento de mortes em confronto

Gustavo Miranda, estadao.com.br

25 de julho de 2008 | 19h20

A polícia que mais mata no mundo e que, no mês de maio deste ano, aumentou as estatísticas de mortos em situação de confronto tem na internet um fórum para se defender e criticar a suas condições de trabalho. Atualmente, só no Rio de Janeiro, mais de 20 blogs de policiais discutem os problemas da categoria, os erros cometidos pelos agentes e , principalmente, cobram melhores salários.   Em um de seus textos, o tenente Alexandre de Sousa, de 24 anos, do "Diário de Um PM" reconhece: "possivelmente eu teria matado Luiz Carlos Soares da Costa". O administrador foi morto em 15 de julho, após ser seqüestrado. PMs identificaram a ação do criminoso e iniciaram a perseguição. Tanto o bandido quanto o administrador morreram na operação. "Eu sempre tento me colocar na situação, no lugar do cidadão. O que seria um policial bem preparado? Acho que ele não é ser humano, seria um Robocop", defende Sousa.   Por causa do Diário, o policial guarda em sua ficha uma punição. "Um policial que tem baixos salários, precisa fazer serviços fora da corporação e vai reagir como um ser humano normal". Em entrevista ao estadao.com.br, o tenente conta que criou o blog há dois anos, quando ainda estava na academia de oficiais da PM e que utiliza o espaço para expor suas opiniões pessoais. "A constituição assegura que a gente tem liberdade de expressão", diz.   Tenente diz que já recebeu punição em sua ficha policial por manter blog   Outro que aproveita o espaço eletrônico para comentar o cotidiano da polícia é o coronel Paulo Roberto Paúl. Com 32 anos de carreira militar e tendo passado por um dos principais cargos da carreira de um policial - foi corregedor interno da PM fluminense por dez anos-, ele utiliza espaço para fazer o que chama de ‘críticas construtivas’ ao contexto em que trabalham os agentes de segurança do Rio. "Para você ter uma diarista, na classe média, não gasta menos de R$60. O policial ganha metade do que uma diarista. Alguma coisa está errada e apontamos isso há muito tempo", diz.   Desde que mantém seu blog, setembro de 2007, Paúl tem visto seu nome envolvido em uma série de polêmicas. Primeiro, quando ainda era corregedor, ele defendeu a criação de um inquérito policial para investigar as circunstâncias em que foram gravadas as cenas do filme Tropa de Elite. "O próprio Bope instaurou procedimento para investigar se as pessoas envolvidas no filme tinham passado por algum tipo de treinamento com integrantes do batalhão", lembra.   Outro episódio aconteceu quando o movimento dos Barbonos iniciou uma campanha por melhores salários e todo o comando da PM foi exonerado. Desde então, ele está sem função. "Quanto menos o policial ganha, ele pode ser corrompido por menos. Estou escrevendo um livro sobre o movimento. Ele vai mostrar que os coronéis que integravam os Barbonos eram as principais funções da corporação e não tinha interesses políticos. Nosso objetivo era dar visibilidade aos problemas para, com diálogo, corrigir. O movimento foi politizado", lamenta.   Outros blogs   Interessado em como outros policiais tratam o seu dia-a-dia, o tenente Sousa resolveu reunir em um endereço outros endereços que tratam do que ele chama de "blogosfera policial". O endereço reúne os principais blogs de policiais - civis e militares - do País.

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