Policiais e agentes se uniram em achaque

El Negro diz ter pago propina em CDP para não ter identidade revelada

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

31 Julho 2009 | 00h00

Um consórcio entre policiais do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), advogados e agentes prisionais foi montado para o achaque de R$ 350 mil do traficante colombiano Ramón Manuel Yepes Penágos, conhecido como El Negro. Os corregedores da Polícia Civil e da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) ouviram o traficante, que contou ter pago propina no Centro de Detenção Provisória (CDP) da Vila Independência, na zona leste de São Paulo. El Negro chegou ao presídio em 27 de maio de 2008. Foi colocado em uma cela controlada por dois detentos que serviam de intermediários na extorsões - o traficante não era o único preso obrigado a pagar propina para os agentes do CDP em troca de privilégios. Para disfarçar o privilégio sustentado pelos pagamentos de propina - cada preso seria obrigado a entregar de R$ 3 mil a R$ 4 mil aos corruptos -, os agentes diziam que as celas eram reservadas aos detentos que eram ameaçados de morte. A primeira exigência dos corruptos para El Negro seria o pagamento de US$ 20 mil. O pagamento não teria sido efetuado porque um diretor do presídio descobriu a trama. Os corruptos então mudaram de estratégia. Em vez da exigência de dinheiro para mantê-lo no CDP, eles apresentaram a El Negro uma proposta: pagar propina para um desembargador que soltaria o colombiano por meio da concessão de um habeas corpus. Exigiram R$ 400 mil para o negócio. O colombiano entregou R$ 50 mil, mas não foi solto. Sob ameaças, caso não entregasse o restante, El Negro disse que foi obrigado a dar aos corruptos o equivalente a R$ 300 mil em euros. Os agentes prisionais corruptos contaram ao colombiano que sabiam que ele não era o brasileiro Manoel de Oliveira Ortiz, identidade usada por ele e sob a qual havia sido enviado para a cadeia por policiais do Denarc - para não revelarem quem ele era, os homens do Denarc pediram US$ 260 mil. El Negro afirmou que os agentes receberam de policiais do Denarc a informação sobre sua identidade. O objetivo era continuar a achacá-lo na cadeia. Com medo dos policiais e cansado de pagar propina, El Negro mandou a mulher sair do Brasil. Ela teria levado a fortuna para mantê-la a salvo dos corruptos.

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