Fernando Priamo/Tribuna de Minas
Fernando Priamo/Tribuna de Minas

Policiais envolvidos em tiroteio davam cobertura a transação ilegal

Investigação aponta que agentes faziam escolta de empresário que transportava dólares; um policial foi morto no confronto - quatro agentes paulistas tiveram a prisão preventiva decretada

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2018 | 18h00
Atualizado 22 de outubro de 2018 | 15h25

SOROCABA - Os policiais civis de São Paulo e de Minas Gerais que se envolveram em um tiroteio que resultou na morte do agente da Polícia Civil Rodrigo Francisco, de 39 anos, na sexta-feira, 19, em Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira, davam cobertura a uma transação possivelmente ilegal entre dois empresários. Essa é, até agora, a linha de investigação da equipe da Superintendência de Investigação e Polícia Judiciária da cidade mineira que apura o confronto.

Neste domingo, 21, a Justiça de Juiz de Fora converteu em preventiva a prisão em flagrante de quatro policiais civis paulistas – dois delegados e dois investigadores – envolvidos no tiroteio. A decisão foi dada pelo juiz Paulo Tristão Machado Junior durante audiência de custódia realizada no Fórum criminal. Com isso, os agentes públicos da Polícia Civil de SP vão ficar presos por tempo indeterminado. Os quatro policiais paulistas serão transferidos para a Casa de Custódia do Policial Civil, em Belo Horizonte.

Também teve a prisão preventiva decretada o homem de 66 anos que foi atingido por um tiro no pé e está internado no Hospital Monte Sinai, em Juiz de Fora. Ele é suspeito de ser o dono do dinheiro falso que seria trocado por dólares na transação ilegal. O suspeito, atingido por um tiro no pé, passou por cirurgia e deve receber alta nesta segunda-feira, quando será transferido para uma unidade prisional da região, autuado por estelionato tentado.

As informações já obtidas dão conta de que os policiais faziam a escolta de um empresário que vinha de São Paulo para Juiz de Fora com uma quantidade de dólares para realizar a troca da moeda no município. O negócio deu errado, aparentemente, quando se descobriu que parte das cédulas em real que seriam usadas na troca pelo dólar eram falsas. 

Quando o tiroteio começou, o empresário que estava com os dólares conseguiu fugir, mas quase R$ 15 milhões em cédulas de R$ 100, a maioria falsificada, foram apreendidos. Os quatro policiais paulistas foram autuados por lavagem de dinheiro e podem ser implicados pela morte do policial.

Outros cinco policiais paulistas foram ouvidos e liberados, mas a conduta deles ainda é investigada. Três policiais mineiros foram indiciados por prevaricação, por terem conhecimento da operação ilegal e não tomarem medidas, mas podem responder por outros crimes, pois também continuam sendo investigados. 

Morte

A Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP) de Minas Gerais esclareceu neste domingo, 21, que apenas o policial civil Rodrigo Francisco, de 39 anos, foi morto no tiroteio entre policiais civis paulistas e mineiros, na sexta, em Juiz de Fora. Conforme a SESP, outras duas vítimas dos tiros permanecem internadas no Hospital Monte Sinai, sob escolta policial, uma delas em estado grave. 

Na noite deste sábado, 20, a Polícia Civil de Juiz de Fora havia confirmado a morte de uma segunda pessoa ferida gravemente no tiroteio, conforme chegou a ser divulgado pelo Estado e por outros veículos de comunicação. Na tarde deste domingo, a assessoria de imprensa do Hospital Monte Sinai informou que um homem de 42 anos, dono de uma empresa de segurança contratado por um dos empresários, continuava internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital. Ele é suspeito de ter disparado o tiro que matou o policial mineiro.

O corpo do policial Francisco foi sepultado no fim da tarde de sábado, no Cemitério Municipal de Juiz de Fora. Ele deixou a mulher e uma filha de 5 anos.

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