Policiais fazem operação em morros do Rio de Janeiro

Objetivo é prender traficantes do Comando Vermelho que estariam escondidos

Agencia Estado

03 Julho 2007 | 15h28

Após o final de semana de aparente tranquilidade, os tiroteios voltaram ao Complexo do Alemão. Nesta segunda-feira, 2, a Polícia Militar comandou uma operação no Morro da Fé, na Penha, e no conjunto de favelas da Serra da Misericórdia. De acordo com o comandante do 16º Batalhão de Polícia Militar, coronel Marcus Jardim, foi uma operação em busca de traficantes do Comando Vermelho que permaneceriam escondidos nas matas. Ele informou que apesar da intensa troca de tiros não houve feridos ou prisões efetuadas. O trânsito chegou a ser interrompido em algumas ruas do bairro. Mortos identificados Quatro dos 19 mortos na operação policial de quarta-feira no Complexo do Alemão (zona norte) não tinham antecedentes criminais e três deles eram menores. A informação é da lista oficial de mortos divulgada nesta segunda-feira, 2, pela Polícia Civil. A Secretaria de Segurança Pública ainda estuda a inclusão de pelo menos dois casos e o diretor do Departamento de Delegacias Especializadas, Alan Tornowski, que comandou a ação, não descarta a possibilidade de que os traficantes tenham escondido mais corpos nas matas para não mostrar fragilidade para as quadrilhas rivais. Os crimes entre os 11 mortos com antecedentes vão de seqüestro até grave ameaça, passando por homicídio qualificado, segundo a polícia. "O fato de ter ou não antecedentes não quer dizer nada. A circunstância da morte é que é importante para sabermos se houve execução. Alguém com antecedentes pode ter sido executado e um criminosos sem passagem pela polícia pode ter sido morto em confronto com a polícia , ou seja, de forma legítima pela Lei", declarou o deputado estadual Marcelo Freixo, integrante da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio. A ficha mais extensa é do traficante Jairo César da Silva Caetano, o Gerinho, ele chegou a ser acusado pelo sequestro e morte de Priscila Belfort, irmão do lutador Vitor Belfort. Gerinho foi enterrado no sábado, no Cemitério de Inhaúma, na zona norte. Freixo criticou o atraso na liberação dos laudos do IML prometidos pela polícia. "Não pode haver dúvidas na apuração das circunstâncias dessas mortes, que tiveram repercussão nacional. Já acho lamentável que a OAB-RJ não tenha sido autorizada para acompanhar as autópsias oficiais", afirmou Freixo. Exumação independente A família de Maxwell Vieira da Silva, de 16 anos, que seria deficiente físico, autorizou a OAB-RJ exumar o corpo do rapaz por peritos independentes, que devem ser enviados pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Outra família que autorizou a exumação é a do estudante David Souza da Silva, de 14 anos. Ele teria sido morto com dois tiros no tórax e abdômen. A família disse no sábado ao presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, Alessandro Molon, que o rapaz era estudante da 5ª série da Escola Municipal João Barbalho e não tinha ligações com o tráfico. Apesar de divulgar a lista como definitiva, a Polícia Civil informou que o corpo identificado como Bruno de Paula Gonçalves, de 20 anos, ainda não foi reconhecido oficialmente. Era dele o cadáver que alguns moradores da Favela da Grota carregaram até o acesso das ruas de Ramos para protestar contra a operação da polícia no dia 27.

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