Policiais fazem piadinha com Garotinho pelo rádio

O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, foi alvo da ironia de policiais militares pelo rádio de comunicação da corporação na madrugada desta terça-feira. Garotinho fazia uma vistoria no policiamento noturno em áreas de risco na cidade e perguntou à central do sistema sobre o estado de saúde de dois policiais militares baleados numa operação no Complexo da Maré. Antes da resposta oficial, veio o deboche. "Até que enfim está preocupado com os policiais."O secretário reagiu com irritação e mandou que a central de comunicação identificasse o policial para que ele fosse punido. "Isso aqui não é para brincadeira. É um instrumento de serviço, de trabalho. Favor identificar e comunicar ao superior dele", ordenou Garotinho, ainda pelo rádio. Até a tarde de hoje, no entanto, ainda não se sabia que policial havia feito a "brincadeira" com o secretário. "Eu mandei comunicar o superior dele. Se foi ou não, confesso que não sei. Vou deixar que a Polícia Militar tome as providências", disse Garotinho.Essa foi a sexta vez que o secretário participou de rondas durante a madrugada para monitorar o policiamento noturno. Hoje ele disse ter passado pela Avenida Brasil, Linhas Vermelha e Amarela e na Avenida Niemeyer, em São Conrado, zona sul. Ali, Garotinho sentiu a ausência de um carro da polícia, que ele havia determinado que ficasse na entrada do Morro do Vidigal. Foi então que o secretário acessou o sistema de rádio para cobrar a presença dos policiais.Garotinho recebeu a informação de que o carro havia partido para outra ocorrência, mas que os PMs ficaram de plantão. "Retornei e verifiquei que os policiais estavam lá." Logo depois o secretário perguntou sobre os policiais e ouviu a "piadinha". "Não foi ofensa", minimizou Garotinho.PerseguiçãoO deboche à preocupação do secretário ocorreu no mesmo momento em que a central de comunicação acompanhava uma perseguição no Leblon, na zona sul, a dois PMs suspeitos de roubo de carro. Leonardo Soullin Pontes, lotado no 6ºBPM (Tijuca), e Ricardo Guimarães Monteiro, do 4ºBPM (São Cristóvão) foram presos depois que a polícia interceptou o Vectra roubado em que Pontes estava, em São Conrado, zona sul.Monteiro vinha atrás em um Santana, que a polícia disse estar em situação regular. Segundo o delegado da 14ª Delegacia Policial (Leblon), Carlos Alberto Nunes, PMs que patrulhavam a área suspeitaram dos veículos, seguiam em alta velocidade em direção à Barra da Tijuca, na zona oeste. Houve perseguição, mas ninguém ficou ferido.Garotinho participou hoje da primeira reunião do Gabinete de Gestão Integrada, que reúne órgãos de segurança federais, estaduais e municipal. De acordo com o secretário, o grupo decidiu priorizar o controle de armas, drogas e a redução do roubo e furto de automóveis para as ações integradas dos próximos meses.Perguntado sobre a decisão da Associação Internacional de Bodyboarding de adiar uma etapa do circuito mundial marcada para julho no Rio por conta da violência, Garotinho lembrou que outras cidades do País têm índices de criminalidade piores que os índices fluminenses, segundo dados da Secretaria Nacional de Segurança publicados por uma revista semanal. "O Rio de Janeiro não deve ser tão violento assim", disse.

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