Policiais fazem segurança clandestina, diz sindicato

A maioria das empresas de segurança que atuam em condomínios residenciais e industriais da região de Sorocaba é clandestina, e integrada ou controlada por policiais. A acusação foi feita pelo Sindicato das Empresas de Segurança e Vigilância do Estado de São Paulo (Sesvesp). Segundo o presidente José Jacobson Neto, em todo o Estado cerca de 70% do mercado da segurança privada está nas mãos de empresas não homologadas pela Polícia Federal e, portanto, clandestinas. Policiais militares e civis perfazem 30% da mão de obra ocupada nessa atividade. O aumento na criminalidade, segundo ele, fez com que o setor crescesse muito nos dois últimos anos. "Por ser uma atividade clandestina, não há números oficiais, mas todo o crescimento foi absorvido pela parte informal do mercado." Segundo Jacobson Neto, o Estado de São Paulo tem 350 empresas de segurança legalizadas, com um total de 100 mil vigilantes. Mas para cada empresa de segurança homologada pela Polícia Federal, surgem de três a cinco clandestinas. Elas absorvem grande parte do contingente das polícias militar e civil que, juntas, somam 124 mil policiais. "São os famosos bicos que os policiais fazem, com o conhecimento da Secretaria da Segurança Pública." Há casos de uso de armas e viaturas da corporação no serviço particular. O sindicato levou o problema ao governador Geraldo Alckmin. A reação do governo, segundo Jacobson Neto, foi no sentido de tentar transferir a jurisdição da segurança privada do âmbito federal para o da Secretaria da Segurança Pública. "Seria a mesma coisa que colocar a raposa para tomar conta do galinheiro", comentou. Na visão do líder sindical, a tolerância da Secretaria com o envolvimento de policiais nas empresas prestadoras de segurança privada contribui para o aumento da criminalidade. "O policial se extenua trabalhando 30 dias por mês, sendo 15 dias na função pública e outros 15 fazendo bicos, e não dá conta da missão de proteger o cidadão." Colocado numa atividade clandestina, esse policial fica mais suscetível de ser corrompido ou atraído pela marginalidade. Ele lembrou o caso do promotor público Francisco José Lins do Rego Santos, assassinado por um policial militar a mando do dono de uma rede de postos a quem servia como segurança particular, em Minas Gerais. No Brasil, há oficialmente 1.300 empresas de segurança, com 500 mil vigilantes.

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