Policiais faziam parte de quadrilha de imigração ilegal

A Polícia Federal desbaratou nesta quarta-feira, 14, uma quadrilha comandada pelo libanês Souheil Chahdam Mounzer, há 25 anos residente no Brasil, morando no município de São Gonçalo, no Rio, que vendia nacionalidade brasileira para estrangeiros, em especial libaneses. Da quadrilha participavam os policiais federais José Francisco Ferreira e Marco Antônio Gonçalves.Este último aposentou-se há poucos meses e atualmente é assessor da deputada federal Solange Almeida (PMDB-RJ). No gabinete da deputada em Brasília informaram que ela se manifestará sobre o caso através de nota oficial.Segundo o superintendente da Polícia Federal do Rio, Delci Teixeira, a quadrilha atuaria há pelo menos 14 anos dentro da Delegacia da Polícia Federal de Niterói. Há possibilidade do envolvimento de outros policiais. Das 31 pessoas presas, dois são irmãos de Mounzer, há ainda quatro advogados e até empresários. A polícia evitar divulgar nomes por o processo correr em segredo judicial. Documentos falsosA quadrilha conseguia os passaportes através de documentos falsos que serviam aos libaneses´ para pedirem a nacionalidade brasileira; ou por meio de casamentos "arrumados" com brasileiras que recebiam R$ 1,5 mil; ou ainda utilizando mulheres que "emprestavam" seus filhos para que os estrangeiros assumissem a paternidade. Entre os presos estão 14 mulheres que colaboraram com a quadrilha.Tanto o superintendente da Polícia Federal no Rio como o delegado responsável pela investigação, Carlos Pereira, negaram que já tenha sido detectado o uso destes passaportes com dados falsos por terroristas árabes. "Não há nenhum dado concreto, até o momento, nesta investigação, que nos permita relacionar esta atividade a terrorismo", garantiu Teixeira. "Os libaneses envolvidos são de uma região onde predominantemente os árabes não são muçulmanos, são católicos. E há pouca relação de árabes católicos com atentados terroristas", acrescentou Pereira.

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