CARL DE SOUZA/AFP
CARL DE SOUZA/AFP

Policiais federais fazem vistoria em escombros do Museu Nacional

Agentes realizaram trabalho inicial de perícia para descobrir as causas do incêndio; Defesa Civil informa que permanece risco de desabamento

Roberta Jansen, O Estado de S. Paulo

04 Setembro 2018 | 14h33
Atualizado 04 Setembro 2018 | 18h55

RIO - Peritos da Polícia Federal estiveram nesta terça-feira pela primeira vez no interior do Museu Nacional/UFRJ, que foi destruído por um incêndio na noite de domingo. Eles também puseram drones para sobrevoar o Palácio São Cristóvão e fazer imagens dos escombros para tentar determinar onde o fogo começou.

Segundo os peritos, enquanto as investigações não estiverem concluídas, ninguém pode entrar no prédio nem remexer os escombros para não apagar eventuais pistas que possam ajudar a esclarecer a tragédia. 

Além disso, permanece o risco de desabamento de estruturas internas do Palácio São Cristóvão, segundo confirmou a Defesa Civil. A fachada, que é parcialmente feita de pedra e tem um metro de espessura está segura. Mas o colapso do telhado afetou a estabilidade das estátuas que ficam no alto do prédio. A queda de uma delas, durante a madrugada, levou a Defesa Civil a interditar completamente o prédio.

A vice-diretora do museu Cristiana Serejeiro explicou também que, como se trata de um museu, não é recomendável que qualquer pessoa tente remexer os escombros e retirar eventuais peças do acervo que tenha sobrevivido ao fogo. Segundo ela, uma empresa especializada deverá ser contratada para a função. “É praticamente um trabalho de arqueologia”, disse.

Mais cedo, no entanto, antes da interdição total feita pela Polícia Federal, algumas poucas peças tinham sido resgatadas por funcionários e bombeiros, como um quadro do Marechal Rondon, que estava no hall do museu, meteoritos, dois vasos de cerâmica e fragmentos de crânios humanos. “Não sabemos se se trata do crânio de Luzia, mas temos esperança”, explicou a vice-diretora.

Além disso, explicou Cristiana, alguns acervos do museu que ficavam em prédios anexos, foram preservados, num total de um milhão e seiscentos mil itens. Entre eles, os 500 mil volumes da biblioteca (com 1.560 obras consideradas raras), a coleção de botânica (com 550 mil peças), o acervo de vertebrados (de 460 mil itens) e pelo menos 150 mil invertebrados.

No fim da tarde, um susto para os bombeiros, funcionários do museu e jornalistas que estavam em frente ao palácio. Um dos quiosques de alimentação na Quinta da Boa Vista pegou fogo, levantando rapidamente uma espessa fumaça escura. Os bombeiros, que já estavam no parque, correram e debelaram o fogo em poucos minutos, antes que se espalhasse. Aparentemente não houve relação entre os dois incêndios. No caso do quiosque, uma fritadeira teria sido esquecida ligada.

Como o Museu é ligado a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a investigação das causas da tragédia está sendo conduzida pela polícia federal. Desde a manhã desta terça-feira, militares estão cercando o prédio na Quinta da Boa Vista para evitar possíveis saques a peças do acervo que tenham sobrevivido ao fogo.

Nesta terça, um vigia da quinta da Boavista, em São Cristóvão, encontrou nos limites do parque um documento queimado que provavelmente pertencia ao Museu nacional. No fim da manhã, ele esteve no museu para entregar o fragmento, devidamente acondicionado em uma pasta, a especialistas.

Aparentemente, se trata de uma página de um livro de paleontologia em inglês. Ainda que não se trate de algo raro ou particularmente importante, funcionários do museu dizem que qualquer achado deve ser trazido para cá para análise. Eventualmente, tais documentos queimados podem também ser usados em algum tipo de memorial para lembrar a tragédia.

“Não sei nem explicar a sensação de encontrar um documento no meio da tragédia, no meio da destruição”, contou Felipe Farias, de 29 anos, visivelmente emocionado. “Estou me sentindo muito emocionado de poder ajudar”.

Segundo os funcionários do museu, todos os fragmentos encontrados devem ser trazidos até a biblioteca de livros raros do Horto Florestal, na Quinta.

Verba emergencial deve ser liberada em até 6 dias

A verba federal destinada aos trabalhos de recuperação do Museu Nacional/UFRJ deve ser liberada dentro de 5 ou 6 dias em caráter de emergência para que possa ser usada sem a necessidade de licitação, segundo informou a vice-diretora do museu, Cristiana Sereijo.

“Semana que vem já poderemos começar ações de segurança e escoramento do prédio e também o trabalho arqueológico dos escombros”, disse Cristiana. “Especialistas em conservação e alunos de museologia se ofereceram para ajudar, teremos uma equipe de 10 a 15 pessoas; e teremos arqueólogos à frente do trabalho, a gente sabe que tem coisas valiosas nos escombros.

Uma das primeiras medidas a serem tomadas, segundo Cristiana, será cobrir o Museu Nacional/UFRJ, cujo telhado desabou. A exposição dos escombros a eventuais chuvas pode produzir fungos e deteriorar eventuais itens que tenham sobrevivido às chamas.

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