Policiais federais param, mas aeroportos têm situação calma

Serviços de emissão de passaporte são prejudicados; agentes fazem 'operação tartaruga' nos aeroportos

Solange Spigliatti, do estadao.com.br,

10 de dezembro de 2008 | 11h19

Pelo menos oito mil policiais federais paralisaram suas atividades na manhã desta quarta-feira, 10. O protesto é contra a aprovação pela Câmara dos Deputados de projeto que equipara o salário dos delegados ao dos membros do Ministério Público, segundo a assessoria da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef).   A paralisação de 24 horas teve início às 8 horas desta quarta e atinge os Estados da Bahia, Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, de acordo com a Fenapef, que ainda não tinha informações sobre a paralisação nos Estados do Norte e Nordeste.   O serviço de atendimento ao público, como interrogatórios, concessão de porte de arma, atendimento a estrangeiros, controle de empresas de vigilância, bancos e produtos químicos, emissão de passaporte, concedidos somente em casos emergenciais, iriam ser suspensos, além de uma operação padrão no atendimento a passageiros nos aeroportos. Apenas os atendimentos de urgência estavam sendo efetuados, de acordo com a assessoria da Federação.   São Paulo   Em São Paulo, segundo a assessoria da PF, o atendimento estava normal na Superintendência, situada na zona oeste da capital, assim como no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo.   Em todo o País, 47 dos 695 vôos previstos até às 11 horas tinham registrado atrasos superiores a 30 minutos, segundo informações da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). Entre os vôos previstos, 12 haviam sido cancelados. O Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital paulista, tinha dois vôos atrasados e dois cancelados. Em Cumbica, seis vôos registraram atrasos e três foram cancelados.   Paralisação   A categoria reivindica a reestruturação na carreira com a criação de um projeto de Lei Orgânica. O Ministério da Justiça já apresentou um anteprojeto, mas que mantém os parâmetros atuais. "Por esse motivo houve uma forte reação da categoria", diz Marcos Vinício Wink, presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef).   Para o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos, Civis e Federais do Departamento de Polícia Federal no Estado de São Paulo (Sindpolf), Rogério Almeida, a situação atual privilegia o mérito e não a experiência. "Hoje, delegados sem experiência policial ingressam, logo no começo de carreira, em altos postos de comando. E apenas os delegados ocupam os cargos mais elevados", diz. A meritocracia permitiria que policiais federais experientes também pudessem comandar, planejar e executar as operações.   As idéias defendidas pela categoria tomam por base estruturas policiais como as do FBI, dos Estados Unidos, e da Scotland Yard, do Reino Unido, mas encontram forte resistência dos delegados. "Isso não significa que queiramos ascender ao cargo de delegado sem concurso. Queremos que nossas funções nos permitam avançar degraus na carreira exercendo atividade investigatória", diz Wink.   A categoria também protesta contra o Plano Especial de Cargos, o PEC 549, que transforma os delegados em carreira jurídica e aumentaria o fosso salarial e funcional que separa os servidores. "O PEC contempla apenas uma categoria da Polícia Federal", diz Almeida, da Sindpolf.

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