Policiais federais presos são transferidos para Brasília

Os delegados e um agente da Polícia Federal presos nesta quarta-feira em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, foram transferidos para Brasília. Eles ficarão detidos na sede da PF. A ação da Polícia Federal, denominada ´Operação Lince´, prendeu seis funcionários da cúpula da corporação em Ribeirão Preto. Agentes passaram o dia de ontem cumprindo mandados de busca, apreensão e prisão. Mais de 150 homens participaram dos trabalhos.Na casa do assaltante Jair Dias de Morais, um dos acusados de fazer parte do esquema de adulteração de combustíveis e roubo de carga, foram apreendidos documentos e celulares. O delegado-chefe da PF na cidade, José Bocamino, e o delegado Wilson Perpétuo, acusado de 14 crimes, também foram detidos. A quadrilha vinha sendo investigada há dois anos. Outro delegado já foi indicado para chefiar a Delegacia de Ribeirão Preto. Outras pessoas ainda estão sendo investigadas.A operaçãoA Polícia Federal prendeu os delegados José Bocamino, chefe da delegacia de Ribeirão Preto, e seu substituto imediato, Wilson Perpétuo, além do agente Luiz Cláudio Santana, numa operação que mobilizou 150 policiais e agentes da PF de seis Estados. Além dos três, foram presos um advogado e dois ladrões de carga. Outro ladrão já tinha sido detido anteontem, no Paraná. A Operação Lince investiga o caso há dois anos, desde a prisão de um suspeito, que está sob proteção policial. A Procuradoria da República pediu a investigação, mantida em sigilo, e grampeou telefones com aval da Justiça. Segundo o delegado Ricardo Amaro Oliveira, da PF em Belo Horizonte, empresários recebiam cargas roubadas de ladrões e as repassavam. A PF acredita que os policiais sabiam do esquema e, no mínimo, se omitiram. Todo o grupo teve prisão temporária, por 5 dias, decretada pela 4.ª Vara da Justiça Federal de Ribeirão. Os nomes de Perpétuo, um dos delegados mais conhecidos da PF, e Bocamino apareceram em outra etapa da Operação Lince, realizada em Rondônia em novembro, que levou para a cadeia seis pessoas, entre elas empresários e um agente da PF. Em fevereiro, na Operação Kimberly, que investigou o empresário americano Mário Glikas, acusado de contrabando de diamantes da Reserva Indígena Roosevelt (RO), o nome de Bocamino reapareceu. Fontes da PF afirmam que ele é suspeito de fornecer material para extração ilegal de diamantes, além do envolvimento com bandos de roubo de carga em Rondônia e no interior paulista. Os policiais foram levados de avião para a Superintendência da PF, em Brasília. Devem responder a processos por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, peculato, concussão, condescendência criminosa (omissão) e evasão e sonegação fiscal. Também foram detidos o advogado Fauzi José Saab Júnior e os ladrões de carga Roberto Lopes Álvares e Jair Dias de Morais. Mário Amaral Fogaça, fugitivo da polícia paranaense, está preso desde anteontem. Dois empresários considerados suspeitos permanecem em liberdade: José Antonio Martins e Jorge Wolney Atalla, já investigado por contrabando. Seis mandados de prisão e 30 de busca e apreensãoComandada pelo segundo homem na hierarquia da PF, o diretor-executivo Zulmar Pimentel dos Santos, a operação começou às 6 horas, com agentes munidos de 6 mandados de prisão e 30 de busca e apreensão. Muitos detidos acordaram com a polícia na porta de casa. A PF fez buscas em imóveis dos suspeitos, numa firma de segurança e nos escritórios de dois doleiros (Milton Agostinho da Silva Júnior e Omar Nahas), de duas empresas da capital, Canadoro Agropecuária (pertencente a Jorge Afif Cury) e Digitat (de Martins), e da Nova União do Açúcar e do Álcool, em Serrana. Apreendeu ainda sete carretas roubadas numa fazenda, que não identificou. O advogado Heráclito Mossin, defensor de Bocamino, Santana e Saab, disse que eles ignoravam o motivo da prisão. O superintendente da PF paulista, Francisco Baltazar da Silva, nomeou Rogério Santana Hisbek delegado-chefe em Ribeirão.

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