Policiais montaram cerco vestidos como garis, operários e entregadores

Eram 11 horas de ontem quando 70 homens do Grupo de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) se preparavam no edifício do Deic para a Operação Marco Zero, na Sé. Uma certa apreensão pairava pelo 8º andar do prédio. Alguns policiais se vestiram à paisana, com roupas de garis, operários e entregadores de bebidas, para surpreender os criminosos. As viaturas foram substituídas por veículos comuns para não provocar uma debandada dos suspeitos. Nada podia dar errado. Por 45 dias, os policiais vigiaram a região das amplas janelas de um apartamento no último andar do edifício na esquina da Rua Santa Teresa com a Praça da Sé. Nos mapas asfixiados nas paredes, círculos indicavam a ação de cada grupo: um na venda de documentos falsos, outro no tráfico de drogas. Os criminosos foram filmados e identificados com apelidos curiosos, como Lacraia e Falcon. Por já conhecerem cada um deles, a ação era certeira. Um policial vestido como gari se aproximava, rondava o criminoso e dava voz de prisão. Nas bolsas apreendidas, havia pequenos frascos com cocaína escondidos por panos de pratos e pacotes de paçoquinha. Uma sacola de plástico de supermercado levada por um homem de uns 40 anos guardava papéis usados para carteiras de habilitação, vendidas por até R$ 500. Outro levava uma sacola cheia de atestados médicos falsificados. No fim da tarde, mais de 60 pessoas detidas enchiam um ônibus circular a caminho do Deic - os outros 30 detidos foram levados em carros da polícia.

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