Policiais não são indiciados por morte de cúmplices de Andinho

A Corregedoria de Polícia de São Paulo optou por não indiciar os cinco policiais campineirosenvolvidos na ação que resultou na morte de quatroseqüestradores em Caraguatatuba, dois deles membros da quadrilha de Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, acusados do assassinato do prefeito Antonio da Costa Santos, o Toninho doPT. O relatório da Corregedoria foi encaminhado aoMinistério Público pelo delegado-corregedor Francisco Gastão Luppi, no fim da semana passada. Procurados nesta segunda-feira pela reportagem,Luppi e a Secretaria da Segurança Pública informaram, por meio da assessoria de imprensa, que não poderiam se manifestar, pois o caso está nas mãos da Justiça.De acordo com o ouvidor de Polícia do Estado, Fermino Fecchio Filho, o delegado "se absteve de indiciar os policiais e remeteu a decisão para o juiz". Fecchio Filho comentou que no relatório o corregedor aponta as falhas ocorridas durante oinquérito e esclarece que faltam alguns laudos periciais.Em 2 de outubro do ano passado, cinco policiais deCampinas fizeram uma diligência à noite em Caraguatatuba, em que foram mortos quatro rapazes. Anderson José Bastos, o Anso, eValmir Conte, o Valmirzinho, eram comparsas de Andinho e suspeitos de matar o prefeito. Segundo a Polícia Civil, o tiro que matou Toninho foi disparado por Anso.Também foram mortos Fábio Soares Menegroni e Alessandro Renato Pereira. Os policiais de Campinas chegaram a dizer que a diligência havia ocorrido em razão das investigações da morte doprefeito e que atiraram para se defender.Várias contradições foram apontadas pela Ouvidoria. As armas apresentadas à polícia de Caraguatatuba não foram as usadas no confronto. O número de policiais na ação também foiquestionado. Para o ouvidor Fecchio Filho, há indícios de execução dos rapazes."Entendo a atitude do delegado-corregedor, mas, pelas evidências, caberia indiciamento dospoliciais", garantiu o ouvidor. Ele afirmou que provas foram destruídas pelos policiais em Caraguatatuba. "Só por isso cabe punição", defendeu. Fecchio Filho acredita que o MinistérioPúblico corrija essa falha.A viúva de Toninho, Roseana Garcia, lamentou o relatório da Corregedoria e acusou a polícia paulista de corporativismo. "Todo a polícia sabe o que aconteceu em Caraguatatuba", disseFecchio, sem entrar em detalhes. Ele explicou que a Ouvidoria continuará a seguir o caso.

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