Polícia Civil/Divulgação
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Policiais paulistas envolvidos em tiroteio em Juiz de Fora deixam a prisão após decisão do STJ

Ministro Reynaldo Soares da Fonseca concedeu habeas corpus aos agentes que estavam na penitenciária de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem; polícia conclui inquérito sobre tiroteio

Leonardo Augusto, Especial para O Estado 

17 de dezembro de 2018 | 10h07
Atualizado 17 de dezembro de 2018 | 15h39

BELO HORIZONTE - Os quatro policiais civis de São Paulo presos depois de tiroteio no dia 19 de outubro em Juiz de Fora, na Zona da Mata, foram soltos na noite deste domingo, 16, por habeas corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Os agentes estavam na penitenciária de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem, na Grande Belo Horizonte para onde foram transferidos em 22 de outubro. A troca de tiros foi com policiais civis de Minas Gerais.

A polícia concluiu nesta segunda-feira, 17, o inquérito sobre o tiroteio com indiciamentos por latrocínio consumado, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Nove policiais civis de São Paulo foram indiciados por lavagem de dinheiro. Quatro que haviam sido presos no dia do tiroteio deixaram a penitenciária neste domingo. Os outros cinco não chegaram a ser presos.

O habeas corpus foi concedido pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca ao policial civil Bruno Martins Magalhães Alves, e estendido aos outros policiais Jorge Alexandre Barbosa de Miranda, Caio Augusto Freitas de Lira e Rodrigo Castro Salgado da Costa.

Os policiais civis, conforme as investigações, teriam sido contratados para serviço de segurança privada. Na troca de tiros, ocorrida no estacionamento de um hospital de Juiz de Fora, duas pessoas morreram: o policial civil de Minas Gerais Rodrigo Francisco e o empresário Jerônimo da Silva Leal Júnior, que teria uma empresa de segurança. 

No dia 12 do mês passado, os três policiais civis de Minas Gerais envolvidos no tiroteio, todos lotados em Juiz de Fora, também foram presos e levados para a Penitenciária Nelson Hungria.

Segundo investigações iniciais da Polícia Civil mineira, o tiroteio teria ocorrido depois de um suposto desacordo comercial entre um empresário de São Paulo, Flávio de Souza Guimarães, e o também empresário mineiro Antonio Vilela, que está preso.

Os dois estavam em Juiz de Fora no dia do tiroteio. No estacionamento foram apreendidos cerca de R$ 14 milhões em notas falsas. Em depoimento à Justiça de São Paulo, Flávio Guimarães disse ter ido a Minas para fechar um negócio e que teria sido enganado. 

Todos os policiais civis, de São Paulo e Minas estariam fazendo segurança particular, ainda conforme as investigações iniciais.

Segundo informações do STJ, o teor da decisão do ministro, com os motivos apresentados para a soltura dos policiais civis de São Paulo, só poderão ser consultados depois da publicação da decisão, prevista para amanhã, 18 de dezembro. A reportagem entrou em contato com a defesa do agente Bruno Martins e aguarda retorno.

Indiciamentos

Segundo o inquérito, ao menos uma das mortes contou com a participação de três policiais civis mineiros envolvidos no tiroteio, que foram indiciados por latrocínio consumado, organização criminosa e lavagem de dinheiro. No dia do tiroteio, foram apreendidos cerca de R$ 14 milhões em notas falsas. Os policiais civis de Minas seguem presos.

De acordo com a corporação, houve ainda no inquérito outros quatro indiciamentos por latrocínio consumado, organização criminosa e lavagem de dinheiro e três por lavagem de dinheiro.

A assessoria de comunicação do empresário Flávio de Souza Guimarães, de São Paulo, que teria ido a Juiz  de Fora no dia em que o tiroteio ocorreu para fechar um empréstimo, afirma não ter chegado informação sobre possível indiciamento do cliente. A versão de Guimarães é que o empresário mineiro com o qual estaria para fechar negócio, Antonio Vilela, tentou lhe aplicar um golpe. Vilela também está preso.

A assessoria do empresário de São Paulo divulgou ainda a seguinte nota: "O advogado André Maurício M. Martins, que auxilia os executivos paulistas a esclarecer à polícia a tentativa de golpe que sofreram em Juiz de Fora (MG) em outubro, afirma que todos os depoimentos dados até agora são unânimes em mostrar a estratégia dos estelionatários de atraí-los para uma operação legal de empréstimo e depois surpreendê-los com uma tentativa de golpe, inclusive com a participação de um falsário já condenado (Antonio Vilela), escoltado por policiais mineiros.  Os relatos, sem exceção, comprovam também não ter existido dólares". Informações iniciais davam conta que o ocorrido em Juiz de Fora seria uma troca de moedas.

Também em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais disse que o inquérito foi encaminhado para o Ministério Público e que "com a finalização das investigações na esfera criminal, a corregedoria da PC dará prosseguimento às apurações no âmbito disciplinar no que diz respeito aos policiais civis mineiros envolvidos nos fatos".

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