Policiais paulistas integram grupo de extermínio, acusa MP

O Ministério Público de São Paulo divulgou nesta sexta-feira um relatório denunciando a existência de policiais envolvidos num grupo de extermínio em Ribeirão Preto, que seria responsável por pelo menos 23 mortes nos últimos dois anos. O documento foi enviado à Corregedoria Geral de Polícia, um dia após a prisão em flagrante do investigador Ricardo José Guimarães, acusado de matar Tatiana Aparecida Assuzena, de 24 anos, na quarta-feira.Ela foi morta, em casa, por um tiro, e seu noivo Almir Rogério da Silva, que seria o alvo, salvou-se ao brigar com Guimarães, que empunhava duas armas (uma com silenciador) e usava um capuz. Guimarães é suspeito de participar de outros seis mortes.A investigação da existência de um grupo de extermínio pelo MP começou em 2002. O promotor Luiz Henrique Pacini Costa diz que existem "bandidos travestidos de policiais", que mancham as corporações civil e militar do município. No relatório, são citados alguns crimes que tinham a mesma semelhança do cometido contra Tatiana: alguém invade uma casa, encapuzado, armado, com armas potentes, e executa a vítima. Guimarães, que foi preso por escoltar carga contrabandeada, teve pelo menos cinco pedidos de prisão preventiva indeferidos pela Justiça - ele foi apenas afastado do trabalho no ano passado.Após as denúncias da existência de um grupo de extermínio na cidade, o número de mortes violentas caiu: 192 em 2002 e 98 em 2003. Antes disso, mais de 200 mortes ocorriam na cidade. A morte de Tatiana quebrou uma rotina de 17 dias sem mortes na cidade neste ano.

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