Policiais podem estar envolvidos em fuga

O secretário estadual de Segurança Pública, Marco Antonio Vinicio Petrelluzzi, afirmou que existem "fortes indícios" de participação de policiais civis na operação de resgate de presos na Cadeia Pública de Pinheiros, que aconteceu hoje à tarde, em São Paulo. "Não se afasta a hipótese da participação de alguém de dentro. Houve falha muito grande do pessoal que estava em serviço", disse ele. "Se houve resgate, a culpa é nossa", prosseguiu. Havia quatro policiais na guarita na hora do resgate.Do total de 800 presos, 120 conseguiram escapar. Desses, dois ficaram feridos na fuga, ao baterem com um carro roubado em um poste, na frente do Cadeião. O secretário contou que vários presos foram recapturados, mas não confirmou o número porque esses presos estariam detidos em distritos policiais da região. Segundo o secretário, de 15 a 20 pessoas vestidas com uniformes do Grupo Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil chegaram no começo da tarde no portão da Cadeia Pública 3, que integra o presídio, para o resgate. Não se sabe ainda se eles usaram viaturas policiais ou carros comuns, nem quantos automóveis participaram da operação. "Eles bateram na porta e, à partir daí, as versões são contraditórias, não se sabe quem a abriu", disse Petrelluzzi. A ação durou 15 minutos, aproximadamente.Os homens que fizeram o resgate portavam armamentos pesados e ao entrar dominaram os policiais. Abriram todas as celas da Cadeia 3 para provocar um tumulto e resgataram os presos. Depois do resgate, outros detentos fugiram a pé ou parando e roubando carros que passavam pela Marginal Pinheiros. Quem não fugiu, iniciou uma rebelião, que foi controlada.À noite serão feitas uma nova contagem dos presos e uma operação pente-fino. A participação de funcionários da cadeia também começará a ser apurada. Por enquanto, ninguém será afastado de seu posto no presídio, de acordo com Petrelluzzi.Ele não quis comentar se a ação de hoje está ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). "Não entro nessa história de PCC, não tem nenhuma relevância", disse ele. Petrelluzzi citou outras organizações de presos, como Seita Satânica e Comando Revolucionário, dizendo que em toda cadeia existem organizações de presos e que o fato não deveria ser "nenhuma surpresa".

Agencia Estado,

14 de abril de 2001 | 18h44

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