Policiais que investigavam máfias são mortos em GO

Três policiais da Delegacia Estadual de Crimes contra a Fazenda Pública foram assassinados em uma suposta emboscada, hoje pela manhã, no Setor Coimbra, região central de Goiânia. Os agentes estavam investigando diversos crimes ligados à evasão de renda, desvio de dinheiro público e máfias nos setores de combustíveis e remédios, entre outros. As mortes aconteceram a 100 metros do local de trabalho dos policiais.Henrique Borges, Marco Aurélio Faustino e Wander Ribeiro estavam em um veículo à caminho da delegacia, quando foram abordados por outro carro, não identificado ainda pela polícia. Borges estava ao volante, quando foi alvejado com um tiro na cabeça. O carro ficou desgovernado e bateu em uma árvore, quando os matadores atiraram nos outros dois policiais."Tudo pode ter acontecido porque eles estavam investigando diversas máfias", afirmou o secretário de Segurança Pública e Justiça de Goiás, Demóstenes Xavier Torres, que evitou dar informações sobre as investigações. O delegado de Crimes Contra a Fazenda Pública, Humberto de Jesus Teixeira, confirmou que alguns dos policiais mortos já estavam recebendo ameaças de morte. "Não levaram isso em conta, porque acontece com freqüência na vida de um policial", contou Teixeira.Desvios - Apesar de não descartar problemas pessoais dos agentes com terceiros, a polícia de Goiás está trabalhando com a hipótese de as mortes estarem ligadas às investigações que os agentes vinham fazendo nos últimos meses. Como todos os policiais trabalham em sistema de rodízio, atuando em todos os casos em apuração, fontes da Secretaria de Segurança Pública de Goiás admitem que as investigações serão difíceis, mas uma equipe começou hoje mesmo a fazer o levantamento das ameaças para saber de onde elas partiram."Eles estavam trabalhando em casos como os da máfia de distribuição de combustíveis, remédios e até mesmo dos setores de laticínios e frigoríficos, além de desvio de recursos públicos envolvendo vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais", informou Humberto Teixeira. Segundo ele, não há um levantamento preciso sobre o total de verbas envolvidas nas investigações iniciadas pelos agentes."São somas que variam de alguns milhares de reais até R$ 80 milhões." Dos três policiais assassinados, apenas Henrique Borges era antigo na profissão, mas não tinha qualquer problema funcional. Marco Aurélio e Wander estavam há menos de três anos na profissão. "Eram agentes que, podemos garantir, não tinham vícios comuns na carreira", afirma o delegado.Os corpos estavam sendo periciados no final da tarde de hoje, mas as primeiras informações asseguraram que todos tinham lesões no crânio. "Isso nos leva a crer que foram executados com tiros na cabeça", confirma Humberto Teixeira.

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