Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Policiais são orientados a não entrar no 6º Batalhão para quebrar bloqueio de mulheres

Uma comissão de policiais foi formada para negociar com as lideranças femininas

Fernanda Nunes, O Estado de S. Paulo

11 Fevereiro 2017 | 07h30

No segundo dia de manifestação na frente do 6º. Batalhão de Polícia Militar (BPM), na Tijuca, zona norte do Rio, a luta das mulheres de policiais é para que os PMs se apresentem para trabalhar e entre no batalhão, de onde só serão liberados pelas manifestantes para sair após 24 horas. 

No início da manhã, porém, a maioria dos policiais se manteve do lado de fora. Segundo uma das lideranças, Laila, que não quis identificar o sobrenome, os policiais foram orientados pelos seus superiores a partir diretamente para as unidades de UPPs nas favelas, em seus carros particulares. 

"Eles estão indo trabalhar sem colete e sem armas nas favelas, à paisana", afirmou Laila, que contou que a rendição estava acontecendo também numa praça próxima, a Sans Peña. 

A troca de turno deveria acontecer às 6h, quando quem estava dentro do batalhão há um dia foi liberado pelas mulheres para sair. Poucos dos que estavam do lado de fora, no entanto, entraram. Uma comissão de policiais foi formada para negociar com as mulheres, sob o comando do coronel Busnello, que chegou a ameaçá-las de prisão se não permitissem "o ir e vir". 

Houve um princípio de confusão entre as mulheres, que formavam um cordão de isolamento na frente do batalhão, e PMs que já teriam concluído o turno após 12 horas. Como tinham menos de 24h no batalhão, foram impedidos de sair. Um deles rompeu a barreira e saiu sob gritos de "covarde". Outro manifestou intenção de entrar, mas um policial fardado, identificado como Nascimento, tentou impedi-lo. Por fim, entrou empurrado pelas mulheres.

"O direito de ir e vir é constitucional. Quero que o policial tenha o direito de ir e vir, sem ter que pular o muro (para sair do batalhão) e se machucar", argumentou o coronel com as mulheres. "A gente não pode ficar aqui fazendo cena", respondeu Laila.

Em email enviado aos policiais e vazado pelas mulheres à imprensa, os PMs recebem a ordem de seguir para a base administrativa, na unidade da UPP do Borel, "devido aos últimos acontecimentos"

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