Policiais são presos após executar perueiro em SP

O sargento Lucas da Silva Borges e o soldado Cláudio José da Fonseca, ambos do 3º Batalhão da Polícia Militar, foram presos hoje, acusados de executar com 12 tiros o perueiro clandestino Sidney de Lima Advento, de 24 anos. Ele teria fugido de uma blitz do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran), por volta das 19h30 de terça-feira, na zona sul de São Paulo. Em depoimento à polícia, os dois afirmaram ter atirado contra Advento em legítima defesa. De acordo com os policiais, o perueiro estava armado com um revólver calibre 38 - encontrado ao lado do corpo da vítima.O crime revoltou outros perueiros, que cercaram hoje o 80º Distrito Policial para pedir justiça. Nesta quinta-feira, eles devem seguir em carreata até o Palácio do Governo, no Morumbi, onde vão protestar contra a ação da PM. O manifesto deverá ocorrer depois do enterro de Advento, marcado para as 9 horas, no cemitério do Campo Grande, na zona sul.O perueiro foi morto dentro da casa do avô, Geraldo Antônio Advento, de 63 anos, que também teria sido agredido pelos policiais. Segundo a família do perueiro, ele ligou do celular para avisar que estava sendo perseguido. "Ele pediu pelo amor de Deus para que abríssemos o portão da garagem", contou a irmã da vítima, Estela Advento, de 15 anos. Segundo ela o irmão chegou por volta das 19h50. "Ele subiu a rua correndo, largou o carro e foi para a casa do meu avô." No carro, estavam oito passageiros e o cobrador Robson Amadeo dos Santos, de 19 anos, que se esconderam. Segundo o cobrador e a família de Advento, ele não tinha arma.Revoltada, Estela disse que os policiais subiram a rua atirando para todos os lados. A mãe do perueiro, Ana Rita Maria Advento, que mora ao lado do local do crime, disse que ouvia as rajadas de tiros, supostamente de metralhadoras. "Meu filho pedia socorro, mas os policiais impediram nossa entrada na casa." De acordo com ela, o filho tinha se escondido debaixo da cama - onde foi morto.Depois de atirar contra Advento, os policiais teriam levado o corpo para o hospital. A mulher de Advento, Eliane da Silva Santos, de 24 anos, disse que o marido vinha sendo perseguido. "Ele queria outro emprego para criar nosso filho de 1 ano e meio."A assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que os policiais foram levados para o Presidío Especial da PM Romão Gomes e vão responder a inquérito. O tenente do CPTran Marcelo Robis Francisco Nassaro disse que o órgão apenas auxilia a Prefeitura nas fiscalizações, mas os dois acusados não participavam desse trabalho. O caso também está sendo investigado pelo 80º DP. Os policiais foram indiciados por homicídio qualificado e podem pegar 20 anos de prisão.A prefeita Marta Suplicy comentou a morte do perueiro, criticando o governo do Estado. "É mais uma questão de segurança pública que, pelo jeito, vai mal das pernas."

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