Policiais são presos por participar da 'máfia das vans' no Rio

Quadrilha é acusada de assassinar 50 pessoas nos últimos 10 anos; ao menos 27 foram presos nesta manhã

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo,

05 de novembro de 2008 | 13h00

A Polícia Civil prendeu nesta quarta-feira, 5, 27 pessoas, entre elas oito policiais militares, cinco ex-PMs e um policial civil, acusados de ligação com a máfia das vans na operação batizada de "Coper Crime". De acordo com o delegado-titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), Claudio Ferraz, a quadrilha seria responsável por 50 assassinatos nos últimos dez anos e atuava em sete cidades do estado. Segundo a polícia, as vítimas seriam concorrentes ou motoristas que não aceitavam a extorsão.   "A falta de controle, regulamentação e fiscalização nos municípios favorece a violência" apontou o delegado. Desde a manhã, 200 agentes de diversas delegacias especializadas da Polícia Civil cumpriram 36 dos 45 mandados de prisão. Nove acusados já estavam presos, entre eles o vereador de São Gonçalo, Edson Silva Motta, dono da Cooperativa de Transporte Santa Isabel, acusado de chefiar a quadrilha, que está preso desde agosto acusado de homicídio, com o filho André Motta. Nesta manhã, outro filho dele, o ex-PM Edson Abreu Motta, também foi preso.   Além da capital, a quadrilha atuava em São Gonçalo e Niterói, na região metropolitana; Nilópolis, na Baixada Fluminense; Angra dos Reis, no litoral sul fluminense; e Maricá e Macaé, na Região dos Lagos. Os policiais também tentaram cumprir 65 mandados de busca e apreensão, principalmente das anotação da contabilidade da quadrilha. Um homem identificado como Márcio Fernandes de Souza foi preso acusado de ser o contador da máfia das vans. A suposta procuradora do bando, uma mulher identificada como Aldari Luiza, foi presa no Morro do Turano, na Tijuca, zona norte do Rio.   Os mandados foram expedidos pela juíza Patrícia Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo. O inquérito apura formação de quadrilha armada e homicídios. Em dezembro do ano passado, uma operação com 400 policiais civis para reprimir o transporte clandestino resultou na prisão do vereador do Rio, Jerônimo Guimarães, o Jerominho (PMDB), suspeito de ser um dos chefes da milícia Liga da Justiça, em Campo Grande. O irmão dele, o deputado estadual Natalino Guimarães (ex-DEM), também foi preso em julho deste ano sob a mesma acusação. Além de extorquir motoristas de vans piratas, a polícia acusa os milicianos de monopolizar a distribuição de gás e cobrar por serviço de segurança em favelas da zona oeste da cidade.   "Percebemos a vinculação entre as milícias e a máfia das vans: ambas atuam com domínio territorial e exercício de extorsão", disse o delegado da Draco. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, anunciou que já pediu a transferência de outros dez milicianos para presídios federais.   Atualizado às 19h20 para acréscimo de informações

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