Policiais são suspeitos de matar preso em delegacia de Porto Seguro

Os policiais, que estavam de folga na noite do crime, teriam agredido Ricardo Santos Dias, de 21 anos, até a morte

Gheisa Lessa, estadão.com.br

17 Julho 2012 | 11h33

São Paulo, 17 - Três investigadores da Polícia Civil e o filho de um deles tiveram mandato de prisão preventiva decretado na última segunda-feira, 16, por serem os principais suspeitos da morte de um preso da Delegacia de Porto Seguro, na Bahia, no último sábado, 14. Os policiais, que estavam de folga na noite do crime, teriam agredido Ricardo Santos Dias, de 21 anos, até a morte dentro da carceragem do DP.

Em entrevista ao estadão.com.br, Evy Paternostro, delegado titular da 23ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior de Eunápolis, onde as investigações acontecem, diz que um dos policiais suspeitos estava de férias e os outros dois não trabalhavam no último final de semana quando chegaram à delegacia.

"Em depoimentos, os investigadores de plantão contam que os três policiais e o menino (filho de um dos agentes), pediram que o preso fosse entregue a eles. Eles levaram o homem para a sala de investigação", afirmaPaternostro.

Otávio Garcia Gomes, de 43 anos, Joaquim Pinto Neto, de 42, Robertson Lino Gomes da Costa, 44, além de Murilo Bouson de Souza Costa, 22, filho de Robertson, foram flagrados pelas câmeras de segurança do DP. Segundo Paternostro,os quatro homens entraram na delegacia às 22h32, após descerem de um carro. Eles vestiam bermudas, o que comprovaria, na versão do delegado, que nenhum deles estava de plantão na data do crime.

O delegado diz que Ricardo Santos Dias, de 21 anos, foi detido ainda na manhã do sábado, 14, na região de Mercado do Povo, em Porto Seguro. Dias foi autuado por tráfico de drogas e porte de arma.

Paternostro conta que, ainda segundo depoimentos, o grupo de policiais pedia que a vítima confessasse algum crime. "Só teremos certeza sobre o que aconteceu dentro da sala depois que interrogarmos os investigados."

As imagens registram a saída do grupo às 0h21, quando dois deles levam o corpo do rapaz, já desacordado. Eles alegaram que o levariam para um hospital. Dias foi socorrido em uma unidade de saúde da região. "Conforme o laudo do hospital, ele já chegou morto", diz Paternostro.

A perícia técnica foi solicitada ainda no domingo, 15. O mandado de prisão preventiva para os três investigadores da Polícia Civil e para o filho de um deles foi determinado na última segunda-feira, 16.

A polícia ainda não sabe dizer o que teria envolvido Murilo Bouson de Souza Costa, filho de Robertson Lino Gomes da Costa,  no crime. O delegado afirma que não há suspeitas de algum dos investigadores plantonistas ter colaborado com a prática, mas que o fato de a ação não ter sido impedida por eles é investigado.

"Em depoimentos eles afirmam que bateram na porta da sala e pediram para que parassem de bater no homem, mas porque nenhuma outra medida, uma mais eficaz, foi tomada?" indaga.

Na procura pelos homens, estão envolvidos o Departamento de Investigação Policial (Dip) e a Coordenadoria de Operações Especiais (Coe), além da Polícia Civil da Bahia. Além de descobrir a localização dos suspeitos, a polícia busca o que teria motivado as agressões.

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